segunda-feira, 31 de agosto de 2009

3. Introdução III: Isagoge Joanina Sobre o Apocalipse

Aproximação ao Apocalipse (3)

INTRODUÇÃO III:

ISAGOGE JOANINA SOBRE O APOCALIPSE

TRANSMISSÃO DO TEXTO




ALTA CRÍTICA

Que a paz do Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Preparem-se porque esta noite tenho uma tijolada. Hoje tenho que compartilhar um tijolo; assim preparem-se já para podê-lo suportar. Vocês sabem que estamos iniciando uma série, mediante Deus, sobre o livro do Apocalipse; mas é necessário, antes de entrar na exegese do texto verso por verso, fazer uma introdução. Digamos que a exegese corresponde à sopa que é onde está a substância e temos que chegar a ela. A hermenêutica corresponde à colher com a qual tomamos a sopa; a hermenêutica é essa ciência e arte da sã interpretação; é o conjunto de regras, normas, princípios, métodos para interpretar corretamente um texto; essa é a hermenêutica, é a colher da sopa. A sopa é a mensagem; ali é onde está a substância, e a exegese é tirar o sentido do texto, essa é a sopa; mas a sopa tem que vir em um prato e a bibliologia é o prato. A bibliologia é a que se ocupa da Bíblia em si, ocupa-se de cada um de seus livros, de seus autores, da legitimidade do livro, de sua transmissão: a do texto de século em século, da inspiração do livro, da legitimidade dos documentos; o relativo à alta e à baixa crítica tem que ver com a bibliologia, com o prato; e depois de caminhar uns aninhos, alguém se dá conta de que o diabo ataca por onde você não está preparado; ele penetra por onde temos um vazio.

Espero que os irmãos que apenas ouvem este primeiro bate-papo meu não vão levar uma imagem incompleta, não de mim, mas sim do que se compartilha aqui, pelo tijolo de hoje. Hoje vamos ter que ver algo de baixa crítica; porque, mediante Deus, quando entrarmos na série já propriamente exegética, ou seja, na consideração dos versos, temos que ter já uma fundamentação sobre o livro que vamos estudar. Então, uma isagoge, ou seja, uma introdução preliminar a maneira de prolegômenos, é necessária. Na vez passada estivemos fazendo uma parte da introdução, a relativa à alta crítica, que tem que ver com quem é o autor, quais são as discussões que há especialmente com o modernismo, o cepticismo, quem está contra este livro. Como lhes dizia, Satanás ataca muito tanto ao Apocalipse como à Gêneses. A baixa crítica tem que ver com as testemunhas do texto ao longo dos séculos, porque é muito fácil para ti comprar uma Bíblia e lê-la, mas essa Bíblia é uma tradução que vem do idioma original, que é o grego, e para saber qual é o texto grego legítimo, você tem que retroceder o mais possível na história e tomar quais são os documentos existentes da antigüidade, qual é o texto do Apocalipse que aparece nos documentos do século I e nos do século II e nos do III e nos do IV, até chegar a nossa época, para poder ter uma edição crítica do texto grego da qual se façam as traduções. Eu sei que é um peso para alguns irmãos estudar essas coisas, ouvir certos nomes técnicos, certos nomes estranhos; mas lhes digo, irmãos, decidi diante do Senhor ocupar esta aula de hoje para lhes passar esse tijolo. Trago aqui umas folhas, porque como sei que são nomes estranhos, então tomei notas que prefiro ler pra vocês; além disso, como se está gravando, então isto vai ficar gravado mais como tema de consulta. De modo que alguns de vocês possivelmente pela primeira vez vão familiarizar-se com certa linguagem dos pergaminhos, dos papiros, dos manuscritos antigos em grego, em latim; mas é necessário ter isto dentro da série. Não podemos começar algo sem ter esta base; então, como isto está sendo gravado, e não só vai chegar, mediante Deus, aos irmãos que estão aqui, mas também se Deus o permite, a outras pessoas, queremos que seja o mais completo possível. Então vos rogo que se preparem para o tijolo de hoje.

Vou ler parte do que na vez passada se leu. Vou ler de novo hoje uma parte, para enquadrar a leitura dentro de um contexto mais amplo, ao que depois podemos tirar Xerox, a estas notas que não estão ainda completas, mas para que as possam consultar depois os que necessitarem dela. Os operários as possam ter e possa fazer circular; como o Senhor disse a Habacuque: "Escreve a visão, e declara-a em tábuas, para que possa ler até o que passar correndo", até os últimos dias. Devido a isso, aos que as desejem ter, eu lhes deixarei estas notas para tirarem Xerox; as vou ler, porque eu sei que terminada a reunião, muitos nem vão se lembrar; de maneira que vão ter que ter as notas para voltar para elas e para familiarizar-se com certas coisas. Vou fazer a leitura e vou me deter em certas expressões para explicá-las, porque eu sei que para alguns é a primeira vez que se lhes explicam certas coisas. É necessário que os irmãos vão se familiarizando com isto. Para você é muito fácil ter esta Bíblia, comprando-a nas Sociedades Bíblicas ou na livraria, mas para que você tenha essa facilidade, muitos irmãos tiveram que fazer um trabalho que você não se imagina. Recolher todos os papiros, manuscritos velhos, alguns nem completos, pedacinhos, mas de grande valor por ser antigos, onde têm o texto como consta que era no século I, no II, no III, para que logo possa haver uma edição crítica do texto grego e logo uma tradução e uma exegese. Para isso, é bom conhecer essas raízes, embora seja de vez em quando, ter uma idéia e ter um material para quando necessitarem. Às vezes as grandes discussões que existem em torno da apostasia, é porque eles atacam pela área da bibliologia, nem tanto pela exegese; eles atacam a bibliologia.

Precisamos ter nisso conta. Vou lendo uma porção da isagoge Joanina. isagoge quer dizer: uma introdução preliminar ou uns prolegômenos. Jonina quer dizer: a respeito de João. Já existe um material que é a isagoge Tiaguina, a respeito de Tiago. Agora a de João tem que ver com o relativo ao apóstolo João e o relativo aos escritos de João: o evangelho, as epístolas e o Apocalipse. Hoje não vamos tratar o relativo à pessoa de João, mas vamos tratar o relativo à alta e baixa crítica do livro do Apocalipse, que é muito atacado desde sua aparição. Este material, como você ainda não recebeu os ataques, possivelmente não o valorize agora; mas nós que caminhamos e tivemos que combater em certas áreas, sabemos que é necessário o ter. De maneira que para que fique à igreja, o vamos passar. Por favor, irmãos, façam o esforço de seguir a leitura com todo seu coração; invoquem ao Senhor que Ele nos ajuda se lhe invocamos.

TESTEMUNHOS DOCUMENTADOS

Justino Mártir

Testemunhas manuscritas do texto e canonicidade do Apocalipse do apóstolo João Boanerges, filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago o maior e primo de nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma das menções mais antigas do Apocalipse canônico escrito pelo apóstolo João, até onde o presente autor conhece, é a que faz precisamente da cidade de Éfeso, primeira destinatária do Apocalipse, o muito famoso filósofo e apologeta cristão, Justino Mártir (?165), martirizado, conforme consta nas Atas dos Mártires, sob o imperador Marco Aurélio, junto com 6 companheiros, por ordem do prefeito Junho Rústico, filósofo estóico e confidente do imperador.

Justino Mártir, escrevendo um diálogo que teve em Éfeso pelos arredores do ano 135 D.C., provavelmente com o famoso rabino tanaíta Tarfón de Lydda, da terceira geração de tanaim. [Aos rabinos dos primeiros séculos da era de Cristo, se lhes chamou os tanaítas; aos anteriores pré-tanaítas. Os tanaítas foram os que escreveram a Mishnah, que é os comentários rabínicos dos primeiros séculos de nossa era ao Torá ou Antigo Testamento; logo nos seguintes séculos, os rabinos amoraitas ou amoraim foram os que comentaram aos tanaitas, e seus comentários formam a Gemarah, que é o comentário a Mishná; então a Mishná e a Gemarah formam o Talmud, que é os escritos dos judeus ortodoxos. Isso é o que quer dizer Tanaim]. Tarfon de Lydda, da terceira geração de Tanaim, mencionado na Mishná, discutia da Halakah com o rabino Aquiba. [Halakah quer dizer a jurisprudência da lei. A Hagadah é a parte narrativa, e a Halakah é a parte legal. O Rabino Tarfon discutia com o rabino Aquiba a respeito da parte legal da lei, e essas discussões rabínicas do primeiro século e do segundo de nossa era, estão na Mishná que é a principal parte do Talmud].

Tal diálogo de Justino Mártir (dizia), conserva-se sob o título Diálogo com Trifon, dedicado a Marco Pompeu, e em seus numerais 81 e 82 nos diz sobre o Apocalipse do apóstolo João o seguinte [palavras textuais de Justino Mártir, ao redor do ano 135 d. C., ou seja, a uns trinta e cinco anos depois da morte do apóstolo João, muito próximo. Diz Justino Mártir]:

"Além disso, houve entre nós um varão de nome João, um dos apóstolos de Cristo, o qual, em revelação que foi feita, profetizou; e que os que tivessem acreditado em nosso Cristo, passarão mil anos em Jerusalém, e que depois disto viria a ressurreição universal e, para dizê-lo brevemente, a eterna ressurreição e julgamento de todos unanimemente. O mesmo veio a dizer também nosso Senhor: "Não se casarão nem serão dados em matrimônio, mas sim serão semelhantes aos anjos, filhos que são do Deus da ressurreição". Porque entre nós se dão até o presente carismas proféticos; de onde vós mesmos devem entender que os que antigamente existiam em seu povo, passaram a nós" (D.T. 81b, 82a).
Até aqui o que Justino Mártir dizia ao Trifon.

André de Cesaréia

André de Cesaréia (morto em 614), no prefácio a sua obra Sobre o Apocalipse diz o seguinte:

"Cremos que é supérfluo alargar o discurso a respeito da divina inspiração do livro [ou seja, o Apocalipse de João], quando testemunham que é digno de fé os bem-aventurados Gregório o teólogo e Cirilo, e além disso, entre os mais antigos, Papías, Irineu, Metódio e Hipólito".

Vemos, pois, que André de Cesaréia conhece as antigas pronúncias a favor da canonicidade do Apocalipse do apóstolo João feitas por pessoas próximas ao apóstolo, Tal como Papías de Hierápolis, que o conheceu pessoalmente e foi seu discípulo direto, transcrevendo inclusive sob o mesmo ditado do apóstolo João seu Evangelho, tal como se sustenta das fontes da antiga tradição no Códice Vaticano-Alexandrino dos anos 800 editado por Tomásio, onde diz o seguinte (leitura textual de um Códice dos anos 800, de faz mais de 1200 anos):

"O Evangelho de João foi manifestado e dado às Igrejas quando João ainda vivia em corpo, como o referiu Papías, por nome hierapolitano, discípulo caro de João, nos "Exotéricos", (não esotéricos com "s", a não ser exotéricos com x, que é justamente o contrário de esotérico), quer dizer, nos últimos cinco livros. Pois bem, ao ditado de João transcreveu retamente o Evangelho. Mas Marcião, herege, tendo sido reprovado por ele, por sentir de modo contrário, foi rechaçado por João. Aquele, porém, havia lhe trazido escritos ou cartas dos irmãos que estavam no Ponto".

Jerônimo

É este mesmo Papías de Hierápolis, aquele que em seus "Cinco Livros de Exegese dos Logos do Senhor", ou seja dos ditos de Cristo, refere-se ao apocalíptico milênio, como o confirmam Irineu, Eusébio, Jerônimo, Anastácio Sinaíta, Máximo Confessor, Estevão Gobaro, Felipe de Sede e Giorgio Hamartolo, lideres antigos. Precisamente Jerônimo, (cito a Jerônimo) do ano 400, em seu livro Dos Varões ilustres diz a respeito o seguinte: "Diz-se que Papías tirou luz a tradição judaica do reino de mil anos. Seguiram-lhe Irineu e Apolinário e quantos dizem que, depois da ressurreição, reinará o Senhor na carne com os Santos. Também Tertuliano, em seu livro Da Esperança dos Fiéis, e Victorino Petavense e Lactâncio são desta opinião."

Mais que à mera tradição judaica sobre o Milênio, Papías de Hierápolis, discípulo para o Senhor Jesus feito pelo apóstolo João, é deste mesmo e de seu Apocalipse que ensina a doutrina milenarista. A Papías, pois, sucedeu em sua sede Apolinário de Hierápolis conservando a mesma tradição.

Vimos, pois, como o mesmo apóstolo João, filho de Zebedeu e Salomé, e irmão de Tiago o Maior, discerniu o espírito herético de Marcião do Ponto, mantendo distância dele. Marcião, pois, para metades do chamado ano 150 D.C. já tinha rechaçado o Apocalipse como uma obra de transfundo judaico viciada em um demiurgo inferior [que dizia Marcião; isso já o pressentia João em espírito]. Por isso também Policarpo de Esmirna, outro discípulo direto do apóstolo João, quando se encontrou com o Marcião e este lhe pediu reconhecimento, Policarpo lhe disse: –Sei quem és, primogênito de Satanás. Isto nos transmitem Irineu e Jerônimo. Marcião tinha sido discípulo de Cerdão que a sua vez foi de Simão Mago. [Então já vêem a linha de Simão Mago, Cerdão, Marcião, a linha da serpente, lutando contra o Apocalipse. As duas linhas: a da mulher e a da serpente]. Contra Marcião escreveu então por sua mesma época uma obra Justino Mártir; também escreveram contra Marcião naquela época Felipe da Gortina, Dionísio de Corinto, Irineu, Modesto e Teófilo da Antioquia. Mais tarde também o fez Tertuliano de Cartago. Por aquela época Montano da Frigia, enfatizando a pneumatologia e o ascetismo, ensinou também o milenarismo amparando-se no Apocalipse de João. Também Melitão de Sardes, pela época escreveu um livro Sobre o Apocalipse de João.

Irineu de Lião

Discípulo de Policarpo de Esmirna, que foi discípulo do apóstolo João, foi Irineu de Lião, em Esmirna, onde lhe chegou o Apocalipse, o qual sustenta o seguinte em relação ao Apocalipse do apóstolo João:
"Uma revelação mais clara ainda [que a feita ao profeta Daniel] a respeito dos últimos tempos e dos dez reis, entre os quais será dividido o império que agora domina, foi feita por João, o discípulo do Senhor, no Apocalipse. Explicando o que eram os dez chifres vistos por Daniel, refere o que foi dito: «Os dez chifres que viu são dez reis que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis, por uma hora, com a besta. Eles não têm a não ser um pensamento, homenagear à besta com sua força e seu poder. Eles combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque o Senhor é Senhor de senhores e Rei de reis»" (Irineu, Contra as Heresias V:26:1).

Repetidamente faz Irineu citação do Apocalipse de João, como por exemplo as seguintes [Irineu citando ao João]: "Eis ali porque diz João no Apocalipse:«Sua voz era como o ruído de muitas águas...» /...João diz no Apocalipse que o incenso são as orações dos Santos.../...Há portanto um altar nos céus, aonde sobem nossas preces e oferendas; e há um templo, como diz João no Apocalipse: «Abriu-se o templo de Deus», o tabernáculo: «Eis aqui diz o tabernáculo de Deus o qual habitará com os homens».../... Também João, o discípulo do Senhor, no Apocalipse, assiste à vinda do reino glorioso e sacerdotal: «Voltei-me, diz ele, para ver a Voz que falava comigo; e voltado vi sete castiçais de ouro e em meio deles a um semelhante ao Filho do Homem, vestido de larga túnica e com um cinto de ouro à altura do peito. Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como lã branca como a neve; Seus olhos são como chama de fogo; Seus pés semelhantes ao cobre abraçado pelo fogo: Sua voz como a de muitas águas; em Sua mão direita sustentava sete estrelas; de Sua boca saía uma espada de dois fios e Seu rosto era brilhante como o sol no máximo de seu fulgor...» Mas João não suportou a visão:«Caí a Seus pés como morto», diz ele, para que se cumprisse o que está escrito: «Nenhum pode ver deus e viver».

Então o Verbo o reanimou e lhe recordou que era Aquele em cujo peito se recostou durante o jantar perguntando quem seria o traidor; e lhe dizia: «Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive e esteve morto; e eis aqui que vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do Hades». Depois, em uma segunda visão, ele viu o próprio Senhor: «Vi -diz ele- no meio do trono e dos quatro seres viventes e dos anciões, um Cordeiro de pé como imolado, com sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados por toda a terra». E até falando do mesmo Cordeiro diz: «Eis aí um cavalo branco e Aquele que o montava tinha o nome de Fiel e Verdadeiro; combate e julga com justiça. Seus olhos são como chama de fogo, em Sua cabeça tem muitas diademas e tem um nome escrito que ninguém conhece, a não ser Ele mesmo; viu um manto manchado em sangue e Seu nome é o Verbo de Deus. Os exércitos do céu o seguiam montados em cavalos brancos, vestidos de linho fino de brancura imaculada; de Sua boca sai uma espada aguda afiada para ferir as nações; Ele as governará com vara de ferro e espreme no lagar o vinho do furor da ira do Deus onipotente. Em Seu manto e em Sua fêmur traz escrito Seu nome: Rei de reis e Senhor de senhores».../... É justamente por este motivo que nasceu o Senhor e de quem Jacó prefigurava o nascimento, e de quem João diz no Apocalipse [olhem isto, olhem como interpreta Irineu a passagem de Apocalipse do Senhor]: «Saiu como vencedor e para vencer». Outra citação de Irineu: "A mesma coisa diz João no Apocalipse: «Bem-aventurado e santo o que participa da primeira ressurreição»."

Todas estas citações foram tiradas de Irineu de Lião, de seus cinco livros Contra as Heresias IV:14:2; 17:6; 18:5, 20: 11; 21:3; V:34:2). Também na Demonstração da pregação Apostólica, que é outro livro de Irineu que com alguns irmãos o lemos, Irineu faz em sua linguagem várias alusões ao Apocalipse [Epideixis (que é a palavra em grego: demonstração 9, 38, 39, 61, entrevistas onde estão as alusões)]. Eusébio de Cesaréia, ano 325, da época de Constantino, em sua História Eclesiástica resume e entrevista da seguinte maneira o dito por Irineu sobre o Apocalipse de João. [Eusébio citando a Irineu]:

"No quinto livro trata do Apocalipse de João e o número do nome do anticristo. Diz (agora Eusébio cita a Irineu. Fala Irineu): «Posto que isto é assim e que este número está presente em todas as cópias boas e antigas, que dão testemunho disso os que viram pessoalmente a João, e já que o sentido comum nos ensina que o número do nome da besta se revela pelo cálculo dos gregos segundo as letras que o compõem...» (Até aí a entrevista de Irineu feita por Eusébio. Contínua Eusébio:) Mais abaixo afirma o seguinte sobre o mesmo tema (volta a citar a Irineu, diz Irineu, citação de Eusébio:) «Assim, pois, nós não corremos o risco de pronunciar concretamente o nome do anticristo, porque caso se tratasse do momento adequado para anunciar abertamente seu nome, tivesse sido dito por aquele que deu a revelação, pois não faz muito que foi vista, quase em nossa geração, ao final do governo de Domiciano» (Termina a citação de Irineu feita por Eusébio e diz:). Isto é o que diz Irineu quanto ao Apocalipse". (H.E.V:8:5-7a).

Teófilo, Tertuliano e Clemente

Pela mesma época do Irineu, também Teófilo de Antioquia utiliza o Apocalipse de João fazendo várias citações em sua obra titulada Contra as Heresias de Hermógenes, conforme o registra Eusébio de Cesaréia em sua História Eclesiástica IV:24. Ao redor do chamado ano 190 D.C. a igreja de Cartago, norte da África, manifesta documentariamente reconhecer ao Apocalipse atribuindo-o ao apóstolo João da mesma maneira como já o tinha feito a igreja de Roma, conforme consta no Cânon Muratori, [Muratori foi um arqueólogo que encontrou um cânon do ano 170 no qual figurava o Apocalipse] e também se menciona o Apocalipse como do apóstolo João nos escritos de Tertuliano de Cartago Da Ressurreição 38, e Do Pudor 12. Dos 22 capítulos do Apocalipse de João realmente Tertuliano faz entrevistas expressas de 18 dos capítulos do total. Também na Alexandria [aí na desembocadura do Nilo, no Egito], pelos arredores do chamado ano 200 D.C., Clemente da Alexandria reconhece o Apocalipse ao apóstolo João em suas obras: o Paed. II:19, Stromata VI:106,107 e no Quis vive 42.

Orígenes

Igualmente o faz Orígenes [o sucessor de Clemente na escola da Alexandria], em seu Comentário ao João tomo V:3 e no Lommatzsch I:165. Sobre o Apocalipse diz textualmente Orígenes:

"O que é necessário dizer a respeito de João, que se recostou sobre o peito do Jesus? Deixou um só Evangelho, apesar de reconhecer que podia compor tantos que não caberiam no mundo; e também escreveu o Apocalipse, havendo lhe sido ordenado calar e não escrever os sons dos sete trovões..." Depois segue falando das cartas.

Lastimosamente, seguindo o mesmo espírito cético quanto ao Apocalipse do apóstolo João que tinha manifestado Marcião do Ponto, surgiu outro grupo herético chamados os álogo, que não recebiam o livro de Apocalipse como do apóstolo João, mas sim pretendiam atribui-lo à herege Cerinto. O grupo dos álogo foi refutado por Epifânio de Salamina em sua obra Panarion L.3, L.33. Os álogo não aceitavam a doutrina Joanina sobre o Verbo de Deus, e portanto rechaçavam todos os escritos do apóstolo João.

BAIXA CRÍTICA

Papiro P47. [Agora começamos a passar alternadamente da alta crítica que era até aqui, à baixa crítica que é o assunto dos textos, porque vamos do século I ao II, ao III. Como se dão conta, vamos avançando cronologicamente]. O manuscrito em grego mais antigo do Apocalipse que se conhece até o presente, até onde este autor conhece, é o Papiro P47 , de ao redor do chamado ano 200 D.C., que com pequenas lacunas consta das passagens que vão desde Apocalipse 9:10 até 17:2, [são um tesouro, um grande pedacinho, mas antiguíssimo] e que se encontra no Museu Chester Beaty de Dublin, Irlanda. O tipo de texto grego do Papiro P47 é o Alexandrino, conhecido como o mais antigo. [Há vários tipos de texto; chamam-se o Alexandrino, o Bizantino, o de Cesaréia, o Oriental , o Ocidental. O mais tardio e que incorpora notas de escribas à margem e que trata de comparar um manuscrito antigo com outro, e junta os dois em um, esse é o texto tardio Bizantino. Os mais antigos são o Ocidental, o Alexandrino e o se Cesaréia. Este papiro é do tipo Alexandrino, ou seja, antigo].

No ano 210 D.C., Recife de Roma, combatendo a Montano da Frígia, que utilizava o Apocalipse de João para sustentar o milenarismo, igual a outros respeitados líderes cristãos, rechaçou junto ao alpinismo e também ao Apocalipse. Então, Hipólito de Roma, que tomou a tocha de Irineu, escreveu pelo ano 215 D.C. uma refutação de Recife de Roma, defendendo assim a apostolicidade e canonicidade do Apocalipse do apóstolo João. A partir da contundente defesa do Hipólito de Roma, todo Ocidente acatou respeitosamente o livro do Apocalipse.

Papiro P18. [Os papiros se faziam de uns novelos; como uns novelos em cilindro. São papiros, não são pergaminhos. Mais antigos som os papiros; vocês vêem que se chama papiro P. Dos papiros do Novo Testamento há como setenta e tantos; cada um tem sua sigla: P1,P2, P3, P4, e cada um tem sua sigla específica e está em um lugar específico e é usado pelos eruditos para poder armar a edição crítica do livro e poder ter nossas traduções]. Outro importante papiro antiguíssimo do Apocalipse, dos dois mais antigos papiros incompletos de ao redor dos anos 250 D.C., é o Papiro P18, que consta da porção Apocalipse 1:4-7 e que se encontra no Museu Britânico de Londres, Inglaterra, catalogado com a sigla P2053 verso.

Igual ao P47, o texto grego do Papiro P18 também é de tipo alexandrino antigo.

Perto do chamado ano 256 D.C., Dionísio de Alexandria expressou dúvidas sobre o Apocalipse simplesmente por questões de gramática.

Dionísio, como bom alexandrino, falava um grego koiné culto, mas é necessário recordar que o apóstolo João era um homem sem letras e que além disso falava em aramaico, sendo o grego apenas uma segunda língua para ele, e estava detento na ilha de Patmos sem a ajuda de um amanuense ou tabelião como Silvano ou Terço. Não obstante, a inspiração do Espírito Santo teve a bem utilizar ao apóstolo João sem violar sua personalidade, nem estilo, nem condição, para nos dar umas das páginas mais sublimes no grego koiné popular sui generis do Apocalipse. Liberto já o apóstolo João da prisão, retornou a Éfeso, havendo morrido já Domiciano, e passados uns anos, já mais familiarizado com o grego, e tendo ao seu redor a facilidade de amanuenses, escreveu João os outros livros seus que fazem parte do Novo Testamento.

Papiro P24. [Estamos tratando com papiros, antes dos manuscritos em pergaminhos. Os papiros são mais antigos; depois vêm os manuscritos unciais, ou seja, escritos todos em letras maiúsculas e palavras pegas, que são antigos, até o século VIII. Logo vêm os minúsculos cursivos com letras pequenas e as palavras separadas que são do século VIII, IX, X em diante. Vocês se dão conta de que os papiros têm mais valor que os unciais e os unciais mais valor que os cursivos quanto a antigüidade]. Outro papiro de importância próximo aos anos 300 D.C. é o Papiro P24 com um texto grego incompleto de Apocalipse, mas antigo do tipo alexandrino.

Consta o Papiro P24 das passagens Apocalipse 5:5-8 e 6:5-8. conserva-se no Centro Newton da cidade de Massachusetts.

CÓDICES UNICIAIS

[Agora começamos já com os pergaminhos, os unciais, que são muito importantes.] Um dos principais manuscritos maiúsculos antigos em pergaminho, com o texto grego completo do Apocalipse, que é o primeiro completo, é o famoso Códice Uncial 01 Alef Sinaitico, dos arredores do chamado ano 300 D.C., encontrado por Tieschendorf no Monte Sinai, e conservado no Museu Britânico de Londres. É do tipo de texto alexandrino antigo. Também dos anos 300 D.C., mas com o texto grego de Apocalipse incompleto, é o Códice Uncial 0207 com o capítulo de Apocalipse 9.

[Agora quero lhes chamar a atenção para que vão se familiarizando com a técnica de citação ou de catalogação. Os unciais, chamam-se assim porque se escrevia tudo com letra maiúscula e colado; esse era o estilo antes de aparecer o estilo cursivo e separado. A numeração dos unciais se começa com o zero; quando você escutar um 015, 028, 0200, o zero quer dizer que é um uncial; se o número for 16 não mais, é um cursivo minúsculo; se for 015 é um uncial ou maiúsculo] [Vamos século por século]. Dos anos 400 D.C. com o texto grego de Apocalipse são:

- O Códice Uncial 02 A Alexandrino, também do tipo de texto alexandrino antigo, e contendo o Apocalipse completo; encontra-se também no Museu Britânico.

- O Códice Uncial 04 C Efraêmico Palimpsesto Rescripto, que se encontra na Biblioteca Nacional de Paris, França. É também do tipo de texto alexandrino antigo.

[O que quer dizer a palavra Palimpsesto ou Rescripto? Pus as duas palavras, pus tudo junto. 01, 02, A, Uncial, embora com a só A maiúscula quer dizer que é um uncial. Se a é minúscula, quer dizer que não é em grego, a não ser em latim; se tiver zero antes do número quer dizer que é um uncial; se não ter zero é minúsculo; se disser palimpsesto quer dizer que era um códice de outra coisa que foi apagado e ainda por cima se escreveu isso; isso é o que quer dizer a palavra palimpsesto, do grego. A mesma palavra palimpsesto se diz em latim rescripto, reescrito; então quando você escuta palimpsesto, rescripto, quer dizer que era um códice de outra coisa e ainda por cima se escreveu isso; ou às vezes há um códice da Bíblia em que se apagou a Bíblia e se escreveu outra coisa; mas com raios infravermelhos se consegue tirar o que estava debaixo; esses são os palimpsestos. De maneira que se vão acostumando os irmãos a esta linguagem.]

VERSÕES LATINAS

[Às vezes os eruditos se interessam mais nas versões latinas antigas que nos cursivos tardios, porque nos cursivos tardios puderam haver enganos dos escribas que foram incorporados ao texto, em troca os latinos são versões antigas; por isso mencionamos também os latinos]. Também dos anos 400, com o texto latino antigo da versão Itala do Apocalipse, é o manuscrito em latim h55 Floriacense, editado por Buchanan. [Sempre que se citam os latinos a letra é minúscula; quando se citam maiúsculas são gregos; os gregos unciais se citam com as letras do alfabeto; quando se acabaram as letras do alfabeto, então se jogaram as letras gregas; quando se acabaram por aí em 47 papiros, começa-se com 047, 048, 049; cada um que se vai encontrando vai catalogando, onde está e do que consta; é bem conhecido pelos eruditos. Desde aí vem nossa Bíblia, de revisar todos estes museus e coisas].

Dos anos 500 D.C. com o texto grego do Apocalipse é o Papiro P43 que consta das passagens Apocalipse 2:12,13, e 15:8 até 16:2 [pedacinhos]. É também do tipo de texto alexandrino antigo. encontra-se no Museu Britânico catalogado com a sigla P2241. Dos anos 500 D.C. no latim antigo africano [ou seja o de Cartago, do norte da África] existe do Apocalipse o Códice h Fleury Palimpsesto.

Também em latim o Códice f Fuldensio próximo ao ano 543 D.C. e cujo texto é semelhante ao Códice ao Amiantino do ano 700 D.C., e que é considerado pelos eruditos como o melhor representante do texto da Vulgata Latina [mas este Códice Fuldensio é anterior e tem o mesmo texto, 200 anos anterior]. Contém a epístola apócrifa de Paulo aos Laodicences ao igual ao Códice Dublinense, que também tem essa epístola. No idioma siriaco [vimos grego, latino, agora siriaco] existem dos anos 500 D.C. 50 manuscritos da Siriaca Harleana com o texto siriaco do Apocalipse, que parece que apenas desde esta época começou a circular livremente entre as Igrejas da Síria. [Foi recebido mais rápido na Ásia Menor, logo no Ocidente, graças ao trabalho de Hipólito, e por fim depois de 500 anos começou a ser recebido na Síria.]

TEXTUS RECEPTUS

Dos anos 600 D.C. com o texto do Apocalipse: em grego, com o Apocalipse completo, o Códice Uncial 046 B(r) Vaticano 2066, próximo ao ano 650, do tipo de texto bizantino [já não alexandrino; o texto bizantino é um texto mais tardio que compara manuscritos antigos; este tem uma coisa e este tem outra; junta as duas; então provém de juntar vários textos e lhe fazer notas pelos escribas; chama-se bizantino; lhe classifica diferente; então este Códice Vaticano 2066 é do tipo de texto bizantino], o qual é de caráter um pouco posterior e eclético que combina várias leituras e incorpora notas que escreveram. encontra-se na Biblioteca do Vaticano. [Ponham atenção a isto, porque existem discussões sobre isto.] É do Códice Uncial 046 com texto grego do tipo bizantino eclético posterior que se copiou por perto do ano 1145 D.C. o Códice 1 que usou Erasmo em grego para sua edição, mas que só chega até Apocalipse 22:9. [Só este manuscrito grego do Apocalipse tinha Erasmo para sua edição; teve que traduzir a passagem de Apocalipse 22:10-21 ao grego do latim, o próprio Erasmo, não do grego de João]. É deste posterior e incompleto Códice 1 [é minúsculo, não 01, a não ser 1] de Erasmo que provém o Apocalipse do Textus Receptus. Dos anos 600 D.C. com o texto em latim antigo do Apocalipse o manuscrito l (l) 67 Legionense editado por Fisher.

Outra centúria. Dos anos 700 D.C. em grego com o texto do Apocalipse o Códice Uncial 0229. Em latim antigo o manuscrito z 65 Harleiano Londrino editado poe Buchanan. O manuscrito em latim antigo m Speculum Agustiniano datado entre os anos 300 e 800 D.C. com o Apocalipse foi editado por Jülicher, Wordsworth-White. Dos anos 700 d. C. com Apocalipse em latim antigo havíamos já mencionado ao Códice ao Amiantino. Também em latim destes anos o Códice d Dublinense chamado Livro do Armagh, e cujo texto da Vulgata Latina provém do Amiantino. Contém também a apócrifa epístola do Paulo aos Laodicenses.

Dos anos 800 D.C. com Apocalipse em grego, o Códice Uncial P Porfiriano que se encontra na Biblioteca Pública de Leningrado (hoje São Petersburgo). Este códice provém de um arquétipo de Luciano de Antioquía próximo aos anos 300 D.C. do qual provém toda a família fP [O que quer dizer f a p? Quando escreve uma f minúscula e uma letra acima ou uma sigla, essa f quer dizer que é uma família de manuscritos; ou seja que quando de um arquétipo se copiaram vários, todos esses que se copiaram desse arquétipo têm as características do arquétipo, e formam uma família, então se conhece com a sigla f a tal coisa; então todos os que se copiaram daquele do Luciano e que chegou a ser o Porfiriano de São Petesburgo, então se chama a família f a p; a p como se fora um expoente de f; assim se chama essa família. Quando os irmãos o vejam, saibam a que se refere]. Seu texto grego é do tipo bizantino. Também em grego dos anos 800 D.C. com o texto de Apocalipse o Códice Uncial 051 E que se encontra na República Monástica do Monte Athos. Do tipo bizantino.

Importantes são para o texto grego do Apocalipse, do 800 d. C., o manuscrito cursivo minúsculo 33 [este é chamado o rei dos cursivos minúsculos, porque embora seja já minúsculo, quer dizer que se copiou por aí no ano 800, entretanto se copiou de um muito antigo; por isso é considerado o m com m minúscula 33, como o rei dos cursivos, porque embora se copiou, copiou-se de um pouco muito antigo; então por isso o valorizam muito os eruditos; chamam-lhe o rei dos minúsculos]. É o manuscrito cursivo minúsculo 33, o qual provém de um uncial antigo, e seu texto é de tipo alexandrino e não bizantino, apesar da época tão avançada. Dos mesmos anos é o manuscrito grego cursivo minúsculo 1424, do qual provém toda a família f1424. [Desse se copiaram um montão.] Esta família [ouçam a característica desta família de manuscritos] de manuscritos cursivos, a f 1424 é do tipo de texto de cesaréia [ou seja, provém da Cesaréia, semelhante ao alexandrino. Vocês sabem que Orígenes da Alexandria foi a Cesaréia e ele era um grande copista com a hexapla e a tetrapla]; (então diz assim:) A f1424 se caracteriza, toda essa família, porque o livro de Apocalipse aparece depois dos Evangelhos, Atos e Epístolas Universais, e antes das Epístolas Paulinas [é uma ordem diferente; toda essa família tem essa ordem: evangelhos, Atos, universais, Apocalipse, Paulinas; toda essa família f1424 de manuscritos, tem essa ordem]. Em latim com Apocalipse: o Códice c Cavensis também semelhante ao Amiantino, o manuscrito latino ar 61 Ardmacano editado pelo Gwym, e o manuscrito latino g1 Sangermanense editado pelo Jülicher.

Dos anos 900 D.C. com Apocalipse em grego o Códice Uncial 052 F que também se encontra no Monte Athos e seu texto é de tipo bizantino. Destes anos são importantes para o estudo das variantes os manuscritos gregos cursivos minúsculos 627 e 2074, 2329 e 2351; estes 3 últimos som manuscritos que contêm exclusivamente ao Apocalipse. Provém sua revisão para a edição crítica do Champlin do texto grego impresso. Em latim dos 900 o manuscrito latino haf Hafniano editado por Wordsworth-White, e que contém exclusivamente ao Apocalipse.

Dos anos 1000, à volta de milênio, com Apocalipse: em grego os importantes manuscritos cursivos minúsculos [como vêem, já começam a abundar os cursivos], de tipo diferente ao bizantino e que foram estudados pelo Instituto do Münster, [na cidade alemã do Münster, existe um chamado Instituto para o estudo do texto do Novo Testamento que recolhe todos os manuscritos havidos e por haver para estudar e fazer o trabalho de crítica textual para poder fazer a edição crítica do grego, para fazer depois as traduções; então somos devedores ao trabalho de muitos eruditos]. Deste Instituto e entre os principais cursivos que são importantes por seu tipo de variantes, são: 1006, 1854, 2081, 2344.

Com data no manuscrito [alguns manuscritos têm a data quando se copiou]: o 2138 de 1072 e o 104 de1087, no Instituto de Münster. os dos anos 1000 D.C. revisados do texto grego impresso para a edição crítica do Champlin com interesse por seus variantes: 35, 42, 241, 256, 325, 424 e o 2048 que é exclusivo de Apocalipse. Com data exata: o 517 de 1050. Em latim à volta do primeiro milênio cristão: o manuscrito latino t 56 Liber Comicus Toletanus editado por Morin. [E que aqui em Remará, Colômbia, consegue-se na Livraria do Seminário, em fax-símile].

Dos anos 1100 D.C. com Apocalipse em grego, do Instituto do Münster, os manuscritos cursivos minúsculos 1, este é o do Erasmo, 88, 94, 1611, 1828. Da revisão Champlin: 110, 242, 808, 2030 exclusivo de Apocalipse, e 2050 também exclusivo de Apocalipse com data de 1107.

Dos anos 1200 D.C. com Apocalipse: em grego: do Instituto do Münster: o manuscrito cursivo minúsculo 2053. Da revisão Champlin: 468, 469 e 792. Um manuscrito grego cursivo minúsculo sobressalente com Apocalipse capítulos 18 e 19 é o 1229 anterior a esta centúria. Em grego em m.1597 com data de 1298. Desta centúria com Apocalipse, [é importante, ponham atenção a isto] em latim: o manuscrito latino dem 59 Demoviano editado por Matthaei, e o manuscrito latino gig 51 Gigas editado por Belsheim, Wordsworth-White. [Este Códice Gigas, chama-se Gigas porque é gigante; tem um metro por meio metro, é um tremendo manuscrito gigantesco.] Este Códice Gigas com Apocalipse é importante porque se copiou em Cerdenha, a ilha de Cerdenha, de um manuscrito próximo aos anos 300 d.C [ou seja de um do 300 se copiou o grande]. Encontra-se na Biblioteca Kunkliga de Estocolmo, Suécia. [A história do gig é que um monge na Cerdenha, por má conduta foi castigado obrigando-se o a copiar o manuscrito do 300, e o monge invocando ao diabo o terminou rapidísimo em um formato gigante de quase um metro por meio metro; no códice se fez um desenho do diabo. Até isso existe.] Outro códice sobressalente desta centúria é o manuscrito grego cursivo minúsculo 2053 que contém o texto do Apocalipse de tipo alexandrino antigo e junto com ele no mesmo códice contém também um comentário ao Apocalipse, de Ecumenio (c.500).

O texto do Apocalipse em m.2053 é semelhante ao do Códice Uncial 02 A Alexandrino [esses 01, 02, 03, 04, são considerados os mais antigos e importantes, muito apreciados por sua antigüidade]. Em latim da centúria o manuscrito latino p 54 Perpinianense editado pelo Wordsworth, e o manuscrito latino div Divionense editado pelo Wordsworth-White.

Dos anos 1300 D.C. com Apocalipse: em grego: Desta centúria também em grego, do Münster: 1859, 2042, 2073, 2432 e 2495. Da revisão Champlin em grego impresso: em m.18 do año1364, o 254 e o 2058 exclusivo de Apocalipse.

Da centúria dos 1400 D.C. de Apocalipse, em grego, do Münster: 2020 e 2065. Da revisão Champlin: 69, 181 exclusivo de Apocalipse, 205, 336, 429 exclusivo de Apocalipse, 467, 1626, 1778 exclusivo de Apocalipse, 2028 exclusivo de Apocalipse com data de 1422, os minúsculos 2054, 2067, 2069, 2302 e 2595 todos estes exclusivos de Apocalipse. Importante [ponham atenção a este, lembrem-se de este por favor] pelo sui géneris em grego em m.61 que é o primeiro manuscrito grego, bem tardio, ano 1400, onde aparece pela primeira vez a passagem de 1 João 5:7 [nunca até o ano 1400 nenhum texto grego tinha esse versículo (1 João 5:7); neste manuscrito 61 cursivo dos anos 1400 é o primeiro onde aparece].

Da centúria da Reforma Protestante, os anos 1500 D.C., com Apocalipse em grego: os manuscritos cursivos minúsculos 296, 522 de data 1515, dois anos antes das tese de Lutero, os 2029, 2033, 2038, 2049, 2068 e 2071, todos exclusivos de Apocalipse. Com data na cópia: o 2044 e o 2083 de 1560, exclusivos de Apocalipse, em grego. Em latim: o manuscrito latino c 6 Colbertino editado pelo Jülicher.

São interessantes [ponham atenção a isto que isto precisam sabê-lo] também para Apocalipse a Vulgata Latina Sixtina [lhe chama Sixtina porque o Papa Sixto V foi o que a mandou a fazer com uma bula de excomunhão ao que fizer algo distinto]. A Vulgata Latina Sixtina de data 1590 com bula de excomunhão por parte do papa Sixto V para todos aqueles que modifiquem a edição ou publiquem variantes.

[Qualquer que publicar uma variante da Vulgata Latina, excomungariam-no, mas olhem o que aconteceu] Dois anos depois, [só dois] o Papa Clemente VIII [o seguinte papa], publicou em 1592 a Vulgata Latina Clementina [já não Sixtina, a não ser Clementina], com 4900 variantes em relação com a imediatamente anterior Sixtina com bula de excomunhão ao que a modifique e publique variantes [ou seja, dois papas romanos entre si nem se têm em conta, excomungam-se uns aos outros. E isso com dois anos de diferença. Guarde-nos o Senhor de pretensão de infalibilidade] . Outra edição com Apocalipse posterior é a Vulgata Latina Beneditino de Oxford, publicada em 1954 pelo H. D. Sparks.

Do século XVII, o manuscrito grego cursivo minúsculo mais tardio de
Apocalipse exclusivamente é em m.2071 datada a cópia em 1622, quando já existiam edições de imprensa.

Todo este foi a caudal testemunha para a crítica textual do Apocalipse canônico do apóstolo João filho do Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago o Maior e primo de nosso Senhor Jesus Cristo.

[Digo-o assim tão recalcitrantemente porque é que os modernos negam que seja João o apóstolo; então tenho que martelar.]
Existem, pois, ao redor de 300 manuscritos gregos do Apocalipse, dos quais 13 são unciais ou maiúsculos. Também as cópias em latim antigo são às vezes mais apreciadas pelos eruditos que as gregas tardias. O livro do Apocalipse está, pois, melhor testemunhado em seu Texto que qualquer outro livro antigo secular, e o tempo entre o autógrafo e suas cópias mais precoces é muitíssimo mais curto que o dos manuscritos de outras obras clássicas. Sua canonicidade está também testemunhada, pois, por Justino Mártir, Irineu de Lião, Clemente da Alexandria, Tertuliano de Cartago, Orígenes; Cipriano de Cartago [como não o tinha mencionado antes, digo em que obra aparece como canônico] (De op et eleem.14) [é o título em latim da obra de Cipriano], Hipólito de Roma (Desde Anticr.36), Metódio (Do Resurr. 9. par. 315; Conv. viii:4.p.143). E lhe reconhece ao Apocalipse como canônico nos Catálogos Canônicos do Cânon de Muratori (170), de Orígenes-Alexandria (250), de Atanásio da Alexandria (350), de Epifânio da Salamina (400), de Jerônimo (400), de Rufino (400), de Agostinho de Hipona (400), de Inocente (417), de Cartago a África (419) e no Códice Claromontano, de Gelásio (470), de Leôncio de Constantinopla (540), de Casiodoro (550), de Isidoro de Sevilha (608), de João Damasceno - Síria (750).

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