segunda-feira, 31 de agosto de 2009

9. A Voz entre os Candeeiros

Aproximação ao Apocalipse (9)

A VOZ ENTRE OS CANDEEIROS




“12 Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros do Ouro”. Apocalipse 1:12

RECONTAGEM INTRODUTÓRIA

Vamos continuar, irmãos, com o estudo do Livro do Apocalipse que estamos realizando a passos lentos; como estávamos orando realmente e como está escrito, é uma bem-aventurança poder estar abrindo, lendo e considerando este livro, e Deus queira também, guardando-o; livro este que é da consumação. Estamos no capítulo 1, e na vez passada consideramos as implicações, as conexões do versículo 7, mas chegamos até as 9 da noite, hora de terminar, e não pudemos terminar; assim necessitamos hoje continuar vendo algo que não pudemos ver do verso 7 e suas conexões. Apocalipse 1:7 diz: “Eis aqui que vem com as nuvens, e todo olho lhe verá, até quantos os transpassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim, amém”.

Como víamos, o livro do Apocalipse contém os terminais de toda a Bíblia, de maneira que quando toma um verso do Apocalipse é como se a esse verso estivessem conectadas as redes de outros versos, porque toda a Bíblia termina no Apocalipse; ao tomar um verso do Apocalipse e levantá-lo, arrasta muitos versos que vêm de trás; então quando olhamos este versículo na vez passada: “Eis que vem com as nuvens”, olhamos os versos que se relacionam em outras passagens da Bíblia com ele. Vimos em Zacarias o relativo ao lamento das tribos, também o relativo a olhar ao que transpassaram; mas principalmente, e por causa de que é mais extenso o testemunho nos versículos da parte que diz: Eis que vem com as nuvens, estivemos vendo os contextos da vinda do Senhor nas nuvens; vimos vários contextos. Se o Senhor vier nas nuvens, então vem com as nuvens; não pode vir nas nuvens, sem vir com as nuvens; digo-o porquê alguns fazem diferença, mas a lógica da expressão “vir nas nuvens” implica necessariamente vir com as nuvens; não se pode vir nas nuvens, sem vir com as nuvens.

Vimos primeiro Mateus 24, o contexto geral onde aparece a vinda do Senhor nas nuvens; vimos que aparece depois da tribulação daqueles dias; o sol se obscurecerá, etc. e então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu e virá com as nuvens. Mas vimos que no contexto desse capítulo e dessa vinda é que o Senhor faz a referência “como ladrão na noite”; e outras passagens onde Ele vem nas nuvens, como por exemplo, 1 Tessalonicenses capítulo 4 onde diz que o receberemos nas nuvens; nesse contexto fala da vinda como ladrão na noite; ou seja que o dia e a hora é desconhecida; ninguém sabe a hora em que vem o ladrão. Desde quando Ele venha, vimos a maioria dos versículos para poder interpretar a vinda do Senhor como ladrão na noite; tivemos que tomar todos os versículos desse contexto; vimos que aparece em Mateus 24 imediatamente depois de falar da vinda do Senhor nas nuvens enviando a seus anjos para recolher a seus escolhidos dos quatro ventos. Vimos também que da mesma maneira se refere 1 Tessalonicenses capítulo 4 que acabamos de mencionar onde diz que não, não, não precederemos aos que dormiram, mas sim o Senhor mesmo com voz comando, com voz de arcanjo, descerá do céu com grande voz de trombeta e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e logo nós os que ficamos seremos arrebatados junto com eles para receber ao Senhor no ar; e ao continuar falando disso, chegando ao capítulo 5 de 1 Tessalonicenses então diz: “1 Mas a respeito dos tempos e das ocasiões, não têm necessidade, irmãos, de que vos escreva.

2 Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá assim como ladrão na noite; 3 que quando disserem: Paz e segurança, então virá sobre eles destruição repentina, como as dores da mulher grávida, e não escaparão”. Vemos que o contexto da vinda do Senhor como ladrão na noite, é esta destruição repentina; o mesmo diz Pedro no capítulo 3 de sua segunda epístola, onde diz: “10 Mas o dia do Senhor virá como ladrão na noite; no qual (na vinda do Senhor como ladrão na noite) os céus passarão com grande estrondo, e os elementos ardendo serão desfeitos, e a terra e as obras que nela há serão queimadas”; ou seja, estivemos vendo todos os contextos que se referem ao dia da vinda do Senhor como ladrão na noite; faltou-nos um só verso e isso vamos ver hoje em Apocalipse capítulo 3; mas quando lemos este verso temos que ligá-lo com todos os outros cinco versos que vimos relativos à vinda do Senhor como ladrão; este é outro.

Em Apocalipse 3:3, o Senhor diz à igreja: “ te lembre, pois, pelo que recebeste e ouviste; e guarda-o, e arrepende. Pois se não vigiar, virei sobre ti como ladrão, e não saberá a que hora virei sobre ti”. Neste contexto também se destaca a vinda do Senhor como ladrão; não está dizendo em que momento, se antes ou depois da tribulação, mas sim está dizendo que vem como ladrão; mas para interpretar este verso temos que lê-lo junto com todos os versos que falam da vinda como ladrão, e lê-lo em todo seu contexto para não dar uma aplicação desconjurada ou imaginária.

A UNIÃO COM OS RESSUCITADOS

Há outra coisa que não pude dizer na vez passada, quando mencionamos a passagem de Lucas. Vamos a Lucas, onde se fala também da vinda do Senhor como ladrão; isso está em Lucas 12:35 em diante; é aquele ensino para o servo vigilante; nós lemos a passagem e leiamos outra vez hoje para ter em conta um detalhe que na vez passada, por causa do tempo, somente passamos de correndo; mas hoje precisamos nos deter um pouquinho em uma expressão. Lucas 12:35-40, fala do servo vigilante. O Senhor fala com seus discípulos, a seus apóstolos, aos seus, e lhes diz: “35 Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias; 36 Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu Senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37 Bem-aventurados aqueles servos aos quais seu senhor, quando vier, ache vigiando; de certo lhes digo que ele haverá de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá. 38 Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira vigília, bem-aventurados serão eles, se assim os achar. 39 Sabei, porém, isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa. 40 Ficai também vós apercebidos,, porque a hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá”. Esta passagem do servo vigilante, menciona também a vinda do Senhor como ladrão; entretanto, há uma frasezinha que foi motivo de questionamentos, de interrogações e de interpretações de várias escolas.

Na vez passada vimos às diferentes escolas que havia, e essa frase misteriosa é a seguinte, versículo 36: “E vós sede semelhantes a homens que aguardam a que seu senhor retorne das bodas”; essa expressão: “retorne das bodas” é interpretada por alguns como se tivesse havido umas bodas anterior à vinda do Senhor como ladrão; por exemplo, o irmão Witness Lee em seu Estudo Vida sobre Apocalipse, ele diz claramente, que alguns vão ser arrebatados, inclusive antes da vinda do Senhor como ladrão; e aparece depois uma vinda secreta como ladrão e depois outra vinda pública nas nuvens. São interpretações; mencionei um caso específico para ver como alguns interpretam que inclusive haverá um arrebatamento anterior à vinda secreta, que inclusive é considerada por alguns, anterior à vinda pública; essas divisões de vinda secreta e pública são interpretações; devemos nós também ser responsáveis por nossas interpretações e procurar deixar dizer à Bíblia o que ela diz. Agora, logicamente, eu que estou ensinando isto, sinto-me responsável por explicar este versículo; aqui o Senhor está falando com seus discípulos, a seus servos vigilantes; em nenhum momento ouvi o Senhor preparar os seus discípulos para um arrebatamento anterior a Sua vinda como ladrão; Ele sempre preparou para Sua vinda como ladrão; mas quando diz que antes de Sua vinda como ladrão, ou seja, no momento da vinda como ladrão, Ele retorna das bodas, isso quer dizer que chegou o momento das bodas, e por isso Ele retorna.

Notem que nesta passagem de Lucas 12, do servo vigilante, Ele está falando especialmente para aqueles que vamos estar, se é que nos toca , ou que vão estar, se tocar a outros, vivos, quando o Senhor vier. Então esta mensagem do Senhor é para nos preparar aos que estejam ou estejamos vivos no momento da vinda do Senhor; ou seja, que não está se referindo aos cristãos que já morreram em Cristo; os que já morreram em Cristo, são precisamente aqueles com os que o Senhor vem porque eles ressuscitarão primeiro e nós seremos arrebatados junto com eles. Por isso é que se pode falar de retornar das bodas, porque os mortos em Cristo, ressuscitam primeiro; ou seja, é o momento da união com o Senhor; umas bodas é a união com Cristo; no momento da ressurreição é quando eles e o Senhor se fizeram um, quando a vida do Senhor foi manifestada na carne dos ressuscitados; por isso quando Ele diz que “retorna das bodas”, quer dizer que retorna com os ressuscitados, retorna para os servos vigilantes que estejam vivos; essa é a maneira como eu o entendo, sem ser dogmático e sem impô-lo a ninguém. Mas alguns irmãos, com apóio neste versículo, dizem que houve um arrebatamento incluso antes da vinda secreta. Bom, eu não penso assim, mas tampouco posso impor meu pensamento a outros; mas digo às distintas escolas que há.

OS VENCEDORES PASSARÃO PELA GRANDE TRIBULAÇÃO

O outro ponto, ou seja um terceiro ponto, para completar o da vez passada, e os rogo que o que estamos falando hoje seja continuação da vez passada para completá-lo, porque não tivemos tempo de terminá-lo por que já estava tarde. Vamos a Apocalipse 15, do qual hoje estivemos cantando. Em Apocalipse capítulo 15:2 se vê um número de vencedores, e diz isto destes vencedores: “Vi também como um mar de vidro”; rogo-vos que se fixem na palavra “também”. É bom esclarecer que nós estamos lendo um livro ao que o arcebispo de Cantorberry, Robert Langdom, e outro depois, dividiram-no em capítulos; e no seguinte século se dividiu em versículos. Quando João escreveu o Apocalipse, João não escreveu com capítulos nem com versículos; ele escreveu sem divisões; às vezes os capítulos e os versículos nos são úteis para encontrar rapidamente uma passagem, porque se não tivesse pelo menos um número, dificilmente o encontraríamos, ou nos demoraríamos muito; de maneira que tem sua utilidade essa divisão em capítulos e em versículos; não foi feita pelos apóstolos, não necessariamente pelo Espírito Santo, mas sim por homens querendo nos ajudar a encontrar rápido os textos; somente que às vezes, os capítulos, quando se colocam sem uma leitura cuidadosa, às vezes cortam a idéia; então agente termina onde termina o capítulo, mas a idéia não terminou, mas sim continuou no outro; ou às vezes começamos em um capítulo com uma idéia incompleta sem ter em conta o anterior; por isso lhes chamei a atenção aqui onde diz: “Vi também”; no 15:1, diz: “Vi no céu outro sinal, (ou seja, que está dando a continuidade aos outros sinais que tinha visto; tinha visto o sinal da mulher dando a luz o menino varão, tinha visto o sinal do dragão e agora vê outro sinal) grande e admirável: sete anjos com as sete pragas últimas”. Mas fixem-se em um detalhe: “2 Vi também como um mar de vidro misturado com fogo; e aos que tinham alcançado a vitória sobre a besta e sua imagem, e sua marca e o número de seu nome, em pé sobre o mar de vidro, com as harpas de Deus”; então estes são vencedores que, por isso está escrito no verso 2, necessariamente passaram a grande tribulação.

No capítulo 14 se apresentam os 144.000, que no capítulo 7, são 12.000 selados de cada tribo de Israel; alguns irmãos tomam um grupo dos 144.000 como diferente ao outro. Eu não tenho liberdade de pensar que há dois grupos de 144.000 diferentes, porque nunca se pode fazer uma doutrina de um só versículo; sempre tem que haver pelo menos outro versículo que confirme ao um, que seja uma passagem paralela e que se refira ao mesmo. Em Apocalipse 7 aparece a mesma seqüência que aparece em Apocalipse 14 e 15. Em Apocalipse 7 aparecem os 144.000 selados das tribos de Israel e imediatamente depois aparece uma multidão de outras tribos, línguas, povos e nações; quer dizer, dos gentios; em Apocalipse 7 apresentam as tribos de Israel e as tribos dos gentios nessa seqüência: primeiro as de Israel e logo as dos gentios. Essa mesma seqüência, em uma passagem paralela aparece em Apocalipse 14 e 15 onde ao princípio do 14, aparecem os 144.000 no monte Sião que se refere principalmente ao Israel como os 144.000 selados das doze tribos de Israel; aqui aparecem outra vez os 144.000 no monte Sião; e assim como em Apocalipse 7 depois dos 144.000 das tribos do Israel, aparece uma multidão incontável das demais tribos, povos, línguas e nações, assim também depois de Apocalipse 14 onde estão os 144.000 no monte Sião, aparece esta multidão de vencedores das outras nações, que estão ali no tempo da tribulação e que venceram, a mesma seqüência de Apocalipse 7 aparece em Apocalipse 15.

Agora, notem o que diz ao final do capítulo 15: “8 E o templo se encheu de fumaça pela glória de Deus, e por seu poder; (e fixem-se nesta frase) e ninguém podia entrar no templo até que se cumpriram as sete pragas dos sete anjos”. Aqui claramente diz a palavra do Senhor que ninguém pode entrar no templo até que se cumpriram as sete pragas; por isso em Apocalipse 16, depois de descrever, como o vimos a vez passada, o reino do dragão na quinta taça e na sexta taça, também a reunião dos reis da parte do dragão, a besta, o falso profeta para a batalha do Armagedom, ainda no contexto da sexta taça diz o Senhor: “15 Eis aqui, eu venho como ladrão”; ou seja que ainda na sexta taça, depois de todo esse problema, ainda não veio como ladrão; e diz aqui: “Ninguém podia entrar no templo até que se cumpriram as sete pragas dos sete anjos”. O Senhor quando fala dos galardões em Apocalipse 22, diz que Ele dá os galardões em sua vinda: “12 Eis aqui venho logo, e meu galardão comigo, para recompensar a cada um conforme seja sua obra”. Mas em Apocalipse 11, quando fala da sétima trombeta, ou a final trombeta, diz que essa final ou sétima trombeta é o tempo de dar o galardão a seus servos os profetas; e quando o Senhor oferece os galardões às sete Igrejas, no galardão à igreja em Filadélfia, diz: “12 Ao que vencer, eu o farei coluna no templo de meu Deus, e nunca mais sairá dali; e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, a qual desce do céu, de meu Deus, e meu nome novo”; ou seja que os vencedores de Filadélfia são postos como colunas no templo; mas ninguém podia entrar no templo até que se cumpriram as sete pragas que tinham os sete anjos; portanto os vencedores de Filadélfia terão que esperar que as sete pragas se cumpram para poder entrar em templo e não sair mais daí. Quando entrarem, não sairão, mas não pode entrar ninguém até que se cumpram as sete pragas. Os irmãos que queiram ter o contexto disto, pelo menos, podem conseguir uma cópia da transcrição que já hoje me entregou a irmã Marlene, para poder ter no contexto completo.

UM POUCO DE CRÍTICA TEXTUAL

Agora sim, vamos a Apocalipse 1:8, que já o lemos na vez passada. Nos manuscritos mais antigos, segundo as edições críticas das que examinamos várias, diz da seguinte maneira: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, que é e que era e que há de vir; o Todo-poderoso”. Esta versão de Reina-valera, está apoiada em um só manuscrito tardio que usou Erasmo para o Textus Receptus; Reina-valera se apoiou no Textus Receptus de Erasmo, que era incompleto inclusive nos últimos versículos, e já Erasmo teve que acrescentar do latim a sua tradução ao grego, porque estava incompleto.

O único manuscrito que ele tinha era um manuscrito bizantino, um manuscrito tardio do século XV; nesse manuscrito tardio e nos manuscritos tardios do tipo bizantino, acontece o seguinte: Eles se caracterizam porque às vezes incluem as notas explicativas dos escribas; às vezes os escribas foram copiando e lhes parecia que esse contexto tinha que explicá-lo; claro, não dizem uma mentira, às vezes tomam parte de outro versículo e o põem aqui; no caso específico de Apocalipse 1:8 onde diz: “princípio e fim”, outros manuscritos tardios dizem: “o princípio e o fim”; essa expressão sim aparece em outras passagens mais posteriores de Apocalipse, e de lá foi tomado por alguns escribas tardios para tratar de explicar o que queria dizer o Alfa e a Ômega; mas esse acréscimo, que não diz uma mentira, mas sim é tirada de outra passagem, entretanto é um acréscimo tardio que não aparece nos manuscritos mais antigos. Também outra coisa: À palavra, Senhor o Deus, tiraram-lhe a expressão “o Deus”, porque quiseram referi-lo exclusivamente ao Filho, mas aqui realmente se refere ao Pai. O Pai em Apocalipse 1:8 é chamado “O Alfa e o Ômega” e o Filho é também chamado assim em outras passagens posteriores; inclusive no capítulo 1 de Apocalipse, mas no versículo 18, o Senhor tem as chaves do Hades; Ele aparece como o vivo, mas que esteve morto e havia dito antes que é o primeiro e o último; ou seja que esse conceito de Alfa e de Ômega significa o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. O primeiro comentário que faço ao respeito é o comentário textual, não o exegético; o exegético é sobre o significado; o comentário textual é a respeito dos manuscritos, como aparece o texto original. Aqui não estamos obstinados a uma tradução específica, mas sim usamos todas as traduções, mas preferivelmente os manuscritos mais antigos; então aqui o que fala é Deus: “Eu sou o Alfa e a Ômega”. O Alfa é a primeira letra do alfabeto grego, porque o Novo Testamento se escreveu em grego; no hebraico é Alef, mas em grego é Alfa; então é a primeira letra que tem valor numérico 1; e Ômega significa a última letra do alfabeto grego; em espanhol é o z; no hebraico é Tau; mas no grego é Ômega. Então diz: “O Alfa e o Ômega”. Sabem que é muito interessante como se escreve Alfa, que neste caso temos que escrevê-lo como maiúscula, porque se refere ao Senhor: “Eu sou o Alfa”; o Alfa se escreve como um triângulo, representando a Trindade; e Ômega se escreve como uma espécie de círculo com uma base, como querendo dizer que o abrange tudo, ou seja, a culminação de tudo. A mesma escritura Ômega é como se abrangesse todas as coisas; o triângulo da Trindade é o princípio que ao final abrange todas as coisas. Que Deus seja tudo em todos; Ele é o princípio de tudo, mas também é o destino de tudo; tudo é Dele, tudo é por Ele e tudo é para Ele; então Alfa sim é o princípio e sim é o primeiro; e Ômega é o fim e é o último. O valor numérico do Ômega é 800, assim Alfa e Ômega é 801, porque Alfa é 1 e Omega 800. Ao irmão Apríngio de Beja, um comentarista do Apocalipse da época medieval, o Senhor lhe abriu os olhos a respeito deste detalhe, que o valor numérico de Alfa e Ômega, é o mesmo valor numérico da palavra que significa “pomba” referindo-se ao Espírito Santo; ou seja, que é curioso o valor numérico de pomba, que é a figura do Espírito Santo, que é também 801, assim como Alfa e Ômega equivale a 801. Coisa curiosa! que se deu conta disso foi Apríngio na Alta idade Média.

Logo diz: “Diz o Senhor Deus”. Kurios ho Teos [Κύριος ό Θεός], dizem os manuscritos mais antigos; os últimos, para aplicar só a Jesus Cristo, tiraram esta porção; mas é muito delicado, e por isso em Apocalipse eu me pus a passar a vocês dados de comentários textuais, porque este livro diz que o que lhe adicionar algo lhe serão adicionadas as pragas, e o que lhe tirar lhe será tirada sua parte; por isso eu não quero seguir a outro, nem em lhe adicionar, nem em lhe tirar, a não ser revisar tudo o máximo possível para seguir os originais mais antigos e não adicionar, nem tirar; essa é minha intenção. Por favor, não se assustem; não estou tirando à Bíblia; somente estou comentando esta tradução, comparando-a com outras e com os originais. “Diz o Senhor Deus”; aqui o que fala é Deus, ou seja, o Pai, “que é e que era e que há de vir”; é uma maneira de dizer “o eterno”; e logo diz: “o Pantocrator”, ou seja “o Todo-poderoso”. É interessante como aparece aqui a assinatura da saudação, porque aqui houve uma saudação: João, às sete Igrejas que estão na Ásia; diz: “da parte do que é e que era e que há de vir”, ou seja, que assina a saudação. Logo diz: “e dos sete espíritos que estão diante de seu trono”, que o havemos já examinado, “e de Jesus Cristo a testemunha fiel”; aí está mostrando a Deus e logo a obra de Cristo, que nos amou e nos libertou de nossos pecados com Seu sangue, e nos fez reino e sacerdotes, para Deus Seu Pai; e logo aparece vindo nas nuvens, e dando a glória a Ele; e logo aparece Deus dizendo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, (a frase “principio e fim”, é adicionada), “diz o Senhor”; em outra parte não é agregado; “que é e que era e que há de vir, o Todo-poderoso”.

Depois de pôr a assinatura à saudação, porque este é uma saudação do céu, do Deus Trino: do Pai, do Espírito, põe-no de segundo, e do Filho que o põe de terceiro, já encarnado, e disse: A Ele seja a glória; vem com as nuvens; está nos apresentando o panorama; essa é a saudação; assim saudava Paulo também: graça e paz; aqui graça e paz da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo; graça e paz do que é e que era e que há de vir, dos sete espíritos, da testemunha fiel, etc.; essa é a saudação e aí termina a saudação; a saudação não é só de João; João é o instrumento, mas a origem é o Alfa e o Ômega, o Senhor Deus, que é e que era e que tem que vir, o Todo-poderoso; Ele é o que fala estas palavras.

CO-PARTICIPANTE NA TRIBULAÇÃO

Agora sim chegamos ao verso 9; depois dessa saudação em nome de Deus, João, o apóstolo começa a contar o que foi o que lhe passou; agora logo começa a nos dizer que estava em Patmos e tal; mas ele começou com a saudação do céu e agora vai explicar as circunstâncias da visão que recebeu de Deus; então hoje nos fixemos com mais detalhe no versículo 9: “Eu João, seu irmão, e co-participante seu na tribulação, no reino e na paciência de Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e o testemunho do Jesus”. Os manuscritos tardios alguns dizem: Senhor Jesus, outros dizem: Jesus Cristo, outros Senhor Jesus Cristo, porque é normal que se a gente tiver reverência a Jesus, adiciona-lhe Senhor Jesus ou Jesus Cristo; mas os manuscritos mais antigos dizem somente Jesus; claro que um escriba piedoso se sentiria inclinado a lhe acrescentar Cristo ou lhe antecipar Senhor, mas os manuscritos mais antigos dizem somente Jesus, e isso tem seu significado e sua importância.

Vamos então a voltar nossos passos sobre este verso 9: “Eu João, seu irmão”; aqui a gente vê a humildade de João; ele é apóstolo, mas ele diz: seu irmão; João se está pondo no nível da igreja. A igreja está passando por perseguição; João é um dos perseguidos e ele não fica em um lugar alto, mas sim fica com seus irmãos: “Eu João, seu irmão, e co-participante seu na tribulação”; ou seja que o normal dos irmãos é passar por tribulação; João se declara irmão e se declara co-participante na tribulação; certamente que aqui não se refere exclusivamente a grande tribulação, a não ser a todo tipo de tribulação; mas logicamente que a grande tribulação é tribulação. Notemos neste contexto como se apresenta João; João está em perseguição; João entende à Igreja; a Igreja está em perseguição; ele é um dos perseguidos, e ele se identifica como um deles; isso é muito bonito, porque ficar alguém, que está tranqüilo, que não está passando por problemas, a dar conselhos a outros, sem conhecer onde lhe aperta o sapato ao outro, esses são conselhos muito vazios; somente quem viveu, que sabe onde lhe aperta o sapato, que também lhe apertou o sapato no mesmo calo, então essa pessoa sim pode ter simpatia, empatia, compaixão e compreensão dos irmãos. João vai animar aos irmãos, João vai contar-lhes como o Senhor está no trono, embora eles estão em tribulação, embora ele está preso; ele antes de chegar a ser preso, diz Tertuliano que o condenaram a ser posto em uma panela de azeite fervendo. Essa história a conta Tertuliano, e que não se queimou; pensaram que era um bruxo. É que Deus o tinha reservado para escrever este livro e o evangelho e as epístolas que escreveu depois do Apocalipse; completou a Bíblia.

Então o levaram preso a essa ilha de Patmos, que era uma ilha onde levavam aos criminosos; não era precisamente uma ilha turística, a não ser uma ilha onde levavam aos criminosos; ali levaram a João. Então diz: “Seu irmão e co-participante seu na tribulação”. Jesus também quando falou com a igreja em Esmirna, que depois o vamos ver com mais detalhe, antes de dizer à igreja que a igreja esteja disposta a ser fiel até a morte, o Senhor se apresentou primeiro à igreja, dizendo: Eu estive morto, eis aqui que vivo, sê fiel até a morte e eu te darei a coroa da vida; porque ele sofreu, “eu estive morto”, eu passei por aí, eu sei o que te estou dizendo; sê fiel, eu vou dar a coroa da vida; olhe, eu vivo pelos séculos dos séculos; estive morto, mas olhe que vivo; sê fiel você também; o Senhor não pede à igreja que suporte as situações sem que Ele as tenha suportado primeiro; por isso dizíamos na vez passada que se a gente está pensando não sofrer, está sendo desarmado por Satanás, porque o apóstolo Pedro diz em sua primeira carta (4:1): “Posto que Cristo padeceu por nós na carne, vós também lhes arme do mesmo pensamento; pois quem padeceu na carne, terminou com o pecado”.

Irmãos, o normal da vida cristã, é passar por provas, por tribulações, por dores. Em Atos, o apóstolo Paulo confirmou à igreja, precisamente com essas palavras. Atos 14:22: “Confirmando os ânimos dos discípulos, lhes exortando a que permanecessem na fé, e lhes dizendo: É necessário (essa palavra “necessário” é porque Deus nos faz bem quando passamos a prova. A prova que passamos é para nos purificar) que através de muitas tribulações entremos no reino de Deus". Essa era a maneira de confirmar os ânimos. Hoje alguns tentam nos animar dizendo: você não vais sofrer nada, vai no arrebatamento e não vais sofrer nada, porque o Senhor já sofreu por nós; por que tem você que sofrer? Essa é uma maneira de desarmar aos irmãos; os apóstolos não ensinavam isso; Jesus não ensinou isso; Jesus disse: Já lhes havia isso dito antes, para que quando acontecer, lembrem que já lhes havia dito isso; ou seja que o Senhor falou que Seu povo passaria tribulações, e nunca houve uma geração que não tenha passado tribulações; e se eu lesse os testemunhos da história da Igreja, as classes de tribulações que o Senhor permitiu que Seus amado passassem, vocês se dão conta que o Senhor não mentiu nem nos enganou, mas sim nos preparou de antemão para que nada tome por surpresa; por isso o que diz aqui: “É necessário que através de muitas tribulações entremos no reino”; e diz Pedro, o que estávamos lendo, “posto que Cristo padeceu por nós na carne, vós também se armem do mesmo pensamento”; ou seja, uma arma protetora é saber e estar disposto a sofrer; se não, estamos desarmados. se arme com este pensamento, posto que Cristo padeceu vós também se armem para padecer com Cristo.

O REINO DE DEUS

Vou ler uma passagem que se refere aos últimos tempos, que está em Daniel capítulo 11, para que saibamos que isto é o normal.

Daniel 11:33; notem em que é para o tempo do fim; do versículo 31 vem falando da abominação desoladora; ou seja, a que implantará o anticristo. Já nesse contexto diz no versículo 32: “ 32 Com lisonjas seduzirá aos violadores do pacto; (os que não forem fiéis ao Senhor, serão enganados com lisonjas) mas o povo (este mas é mas) que conhece seu Deus se esforçará e atuará. 33 E os sábios do povo instruirão a muitos; e por alguns dias cairão a espada e a fogo, em cativeiro e despojo”. Fixem-se nessas quatro palavras que sintetizam a perseguição: “espada, fogo, cativeiro e despojo”. vou dizer lhes uma notícia que é no tempo do governo atual; não estou falando de tempos anteriores; escutou-se e saiu, mas em uma notícia muito pequena; não se deu o significado que se devia dar. Resulta que vinha um navio da Europa para a Colômbia e trazia guilhotinas; e no Atlântico houve uma grande tormenta e foi necessário atirar as guilhotinas ao mar; mas não eram guilhotinas de imprensa para cortar papel, eram guilhotinas para cortar cabeças; um navio vinha da Europa para a Colômbia carregado com guilhotinas, no tempo deste governo; não sei se vocês sabiam essa notícia. Para que guilhotinas na Colômbia? Quem estava importando isso? Saiu nas notícias, muito pequena, e poucos souberam dela; mas quero que saibam neste momento.

Voltemos para Apocalipse; estamos no 1:9: “co-participante seu na tribulação”. João está sofrendo, está detento no cárcere, passou pela panela de azeite fervendo, o Senhor lhe conservou a vida, agora está detento na ilha de Patmos; essa história é contada por Tertuliano.

Agora diz aqui: “co-participante” não só na tribulação, mas também “no reino e na paciência de Jesus”. Três coisas nas quais João se declara co-participante ao mesmo tempo: a tribulação, o reino e a paciência; ou seja, o reino tem várias etapas: haverá uma etapa gloriosa do reino quando Deus enxugará toda lágrima, mas há uma etapa de introdução do reino quando os valentes são os que o arrebatam. Quando o Senhor Jesus disse: “O reino dos céus sofre violência, e os violentos (esforçados, os valentes) arrebatam-no” (Mateus 11:12), mostrou que era necessário valentia para o reino; há uma etapa do reino que corresponde ao período da Igreja e nas tribulações normais que passa a Igreja; por isso Paulo falava dos irmãos que lhe ajudavam no reino; ou seja que a vida da Igreja é um aspecto do reino. Haverá outro aspecto do reino no Milênio; haverá outro aspecto do reino no céu novo e na terra nova; houve um aspecto do reino no tempo de Israel; houve um aspecto do reino antes da terra quando o Senhor estava com seus anjos criando a terra; Ele reina de eternidade a eternidade; logo houve o período do reino correspondente a Israel, mas o reino será tirado a este povo e será dado a outro povo que dê o fruto que o outro não deu; é o período da Igreja, e Paulo falava do reino na Igreja; ajudam-me no reino de Deus, dizia em suas saudações.

“O reino de Deus não é comida nem bebida, a não ser justiça, paz e gozo no Espírito Santo” (Romanos 14:17). Há um aspecto atual do reino, há um aspecto quando o reino sofre violência; essa é a hora da Igreja, é quando o reino sofre violência; Jesus disse que o reino sofria violência; ainda depois do milênio o reino sofrerá violência, porque Satanás será desatado e irá enganar às nações para vir contra a cidade Santa, mas o Senhor fará descer fogo do céu e introduzirá Seu julgamento final; mas o reino do Senhor sofre violência porque é um choque de dois reino; é o reino de Deus contra o reino das trevas; por isso o reino das trevas faz violência contra o reino de Deus, e por isso é que João põe a palavra reino em meio de tribulação e paciência; ou seja, quando o reino sofre violência por tribulação, devemos ter paciência, mas essa paciência não a podemos ter sem Jesus, e aqui o interessante nos versículos originais é que diz: “e na paciência de Jesus”; e mais abaixo: “o testemunho de Jesus”. Se você o vir no grego, esta paciência de Jesus não é o único que se diz de Jesus, a não ser a tribulação de Jesus, o reino de Jesus e a paciência de Jesus, e então “o testemunho de Jesus”. Por que não diz aqui nos originais “Cristo”? Sempre que se fala de vitória, fala-se de vitória em Cristo; somos fortes em Cristo, ressuscitados com Cristo, sentados com Cristo nos lugares celestiais e falamos em Cristo.

Diz que o Senhor chegou a ser, quando ascendeu, Senhor e Cristo; não que não era o ungido, mas sim agora é o ungido para reinar; agora a Jesus se lhe chamou: Senhor e Cristo, como diz a Escritura. Para que o vejam com seus olhos, diz da seguinte maneira em Filipenses 2:10: “10 Para que no nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra; 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor" Primeiro quando Ele está como Jesus, Ele está em suas provas terrestres, Ele está em suas tribulações; por isso Ele dizia: Vós que me acompanhastes em minhas provas, sentarão comigo em doze tronos; mas primeiro tinham acompanhado em suas provas. Como Jesus, Ele está em sua humilhação, entendem? Como Cristo Ele está em sua ressurreição e em sua ascensão; então por isso João não utiliza aqui, tribulação em Cristo, a não ser co-participante seu na tribulação, no reino e na paciência de Jesus. Essas três coisas são de Jesus. A tribulação de Jesus, somos partícipes da tribulação de Jesus.

A HONRA DE PADECER POR CRISTO

Por isso diz a Bíblia: “Porque lhes é concedido por causa de Cristo, não só que criam nele, mas também que padeçam por ele” (Filipenses 1:29). É uma concessão, é uma honra que nos concede.

Possivelmente o Senhor não conceda a alguns essa honra; por quê? Porque talvez fraquejem, não sabemos. Deus tenha misericórdia de nós; disto ninguém se pode glorificar de valente; porque Pedro se glorificava dizendo: Senhor, minha vida porei por ti; e a última hora viu que em suas próprias forças até da garota do atendimento se assustou; seja depois sim, agora sim, seja em união com o Senhor, foi crucificado com o Senhor e até de cabeça para baixo; foi valente e não fugiu mais. Quo vadis? aonde vais? Quando estava fugindo de Roma, viu que o Senhor voltava para Roma, em uma visão; isso o conta a história; ele estava fugindo de Roma e viu que o Senhor vinha para Roma; e lhe perguntou: Quo Vadis? aonde vai? Aí entendeu que ele tinha que ir a Roma a morrer em nome de Cristo; então já lhe chegou sua hora, porque o Senhor mesmo disse: enquanto isso fujamos, mas quando chega a hora, terá que enfrentá-la. Então aqui João tem um conceito importante: co-participantes, nós em corpo, na tribulação de Jesus, no reino de Jesus e na paciência de Jesus; essa é a experiência atual de João; quando João está escrevendo isto, ele está participando da tribulação, do reino e da paciência, mas de Jesus; Jesus como homem, em sua humilhação. Por isso ele diz: em Jesus e não precisamente em Cristo, embora Jesus é o Cristo, mas falou de Jesus, por causa da humilhação.

Então diz: “estava na ilha chamada Patmos”; claro, ele tinha que explicar, porque isso é como estar antes no cárcere da Gorgona ( ilha-prisão colombiana); eu estava na Gorgona, mas como! Porque sabemos que a Gorgona quer dizer o cárcere dos piores criminosos; então ele explica: “na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e o testemunho de Jesus”; por estas duas coisas: pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus, ele foi enviado prisioneiro à ilha chamada Patmos.

Onde está se localizada essa ilha chamada Patmos? Se vocês recordarem onde está a Grécia e Turquia hoje em dia, e que logo se entra por volta do Mar Negro. Na costa da Turquia, que é a península Anatólia, está Éfeso; logo a 80 quilômetros para o norte está Esmirna; logo outros 64 quilômetros para o norte está Pérgamo; logo vai para o sul ou seja a Tiatira e vai baixando a Sardes, a Filadélfia e a Laodicea. Esse é mais ou menos o percurso; e a 100 quilômetros de Éfeso, que fica perto do mar, Mileto é como dizer um porto próximo a Éfeso; logo depois de Éfeso a 100 quilômetros para o sudoeste está uma série de ilhas que se chamam as Esporadas; uma dessas ilhas é a ilha de Patmos, que tem mais ou menos 16 quilômetros de comprimento e 8 quilômetros de largura na parte mais larga; mas há uma parte do mar que entra na ilha e quase a parte em dois; essa é a ilha de Patmos que fica localizada entre as ilhas Esporadas, mais ou menos ao sudoeste de Éfeso, que fica na península Anatólia, que é o que hoje é a Turquia, que antes se chamava a Ásia Menor; é uma ilha rochosa, não muito fértil, onde está a cova que se chama a cova do Apocalipse; até hoje está; hoje levantaram um monastério e nosso irmão Samuel Doctorian estava orando justamente lá quando teve aquela experiência mística que escreveu e que vocês conhecem; então é uma ilha que mais ou menos já a localizamos; uma ilha de presos. João esteve sob o governo do Domiciano, que foi chamado o segundo Nero ou o Nero revivido ou redivivo; e quando morreu Domiciano, o seguinte imperador deu a liberdade a João, e ele pôde retornar a Éfeso e lá em Éfeso pôde escrever seu evangelho e suas epístolas; mas ele esteve nessa ilha durante esse tempo.

RECEBER A REVELAÇÃO EM ESPÍRITO

Diz o verso 10: “Eu estava no Espírito no dia do Senhor”. “Eu estava no Espírito”. Para ter a revelação de Jesus Cristo se tem que estar no Espírito; quer dizer, não é suficiente estar na mera naturalidade do homem almático; devemos discernir espiritualmente as coisas espirituais. Porque o mero homem natural não as entende, e para ele são loucura, como diz Paulo; o espiritual discerne todas as coisas; por isso é necessário estar no Espírito para receber as revelações. “Eu estava no Espírito no dia do Senhor”. Esta frase, “no dia do Senhor”, refere-se ao domingo; há uma maneira especial no grego para referir-se ao dia do Senhor e diferente quando se refere ao dia do julgamento; alguns o interpretaram como o dia do julgamento, mas sem ir ao grego. Um dos melhores especialistas em grego, o irmão Archibald T. Robertson, que publicou uma obra em seis volumes que está na biblioteca que se chama “Imagens Verbais do Novo Testamento”, ele faz uma análise profunda e uma diferenciação deste assunto e portanto em apóio a isso se pode dizer que este dia do Senhor se refere a um domingo. “Estava no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz como de trombeta”. É interessante que a voz lhe fala de trás e isso se deve a uma promessa que tinha feito o Senhor, porque diz nos profetas: “Então seus ouvidos ouvirão às tuas costas palavra que diga: Este é o caminho, andem por ele” (Isaías 30:21). Se você for caminhar, o Senhor de trás te sopra por onde é que tem que caminhar; então João certamente que estava confundido na ilha de Patmos, estava em uma perseguição, possivelmente não sabia o que fazer porque isto com o que ele nos saudou o experimentou depois, embora o contou antes, estaria confundido, mas o Senhor, que é fiel a Seu povo, a Seus servos, a Seus mestres, a Seus enviados, de trás dele falou, e a primeira palavra que o apóstolo João escutou foi a seguinte: “11 Escreve em um livro o que vê, e envia-o às sete Igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Deram-se conta de que saltei essa parte que diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega”? Isso tampouco está nos manuscritos mais antigos, mas logicamente que possivelmente um escriba posterior piedoso, como vai introduzir assim direto que escreva? É mais bonito dizer: Eu sou o Alfa e o Ômega; claro que isso o disse o Senhor em outra ocasião, mas os manuscritos mais antigos não põem esta frase aqui; só a põem alguns manuscritos posteriores. Diz aqui: “Escreve em um livro o que vês”. Sabem irmãos? O Senhor manda escrever. Em Apocalipse o Senhor manda 12 vezes a escrever; e esta é a primeira vez: “Escreve em um livro o que vês”. Vejamos alguns dos outros mandamentos de escrever. Vamos por exemplo ao capítulo 14, verso 13: “Ouvi uma voz que do céu me dizia: Escreve”. No 2:1: “Escreve”; no 2:8: “Escreve”; no 3:1: “Escreve”; no 3:7: “Escreve”; no 3:14: “Escreve”; no 19:9: “Escreve”, e no 21:5: “Escreve; porque estas palavras são fiéis e verdadeiras”; 12 vezes; o número 12 o usa o Senhor em tudo; 12 vezes dá o Senhor a João a ordem de escrever.

Por que o Senhor manda a escrever? Para que não se perca. Ele explica as razões; por exemplo, a Habacuque explica as razões. Vamos lá em Habacuque para ver por que se deve escrever; é que às vezes as coisas espirituais a pessoa as confia à memória, mas vão esquecendo, vão desfazendo, e por isso o Senhor quer que se escrevam. Vamos ao livro de Habacuque; diz no capítulo 2:2: “E Jeová me respondeu, e disse: Escreve a visão, e declara-a em tábuas, para que possa ler até o que passa correndo.” Ou seja, o Senhor sabe que se não se registrar, as coisas se perdem; então Deus sempre manda a escrever: Moisés: escreve em um livro as jornadas; a Jeremias também disse: Jeremias, escreve. A Isaías também disse: Isaías, escreve. A Ezequiel também disse: escreve; inclusive lhe disse: escreve nesta dia; ou seja o Senhor manda a escrever. Disse a Moisés que escrevesse um cântico e que o ensinasse ao povo; ou seja, Deus está interessado em que Seu testemunho não seja tergiversado; não lhe adicione, não lhe tire, que permaneça para sempre; por isso é importante que se escreva, para que corra. Se não se escrever, fica em sua memória e morre contigo; mas se for escrito, você morre, mas fica escrito; logo outro lhe faz uma cópia, logo outro lhe faz outra cópia. Do João não sabemos se fez sete cópias, uma para cada igreja, ou mandou uma primeira cópia para a primeira e que depois em Esmirna fizessem para os outros, não sabemos; o fato é que escreveu; o Senhor lhe disse que a enviasse. Também no capítulo 1:19, diz: “Escreve as coisas que viu, e as que são, e as que têm que ser depois destas”; ou seja várias vezes; então realmente são doze vezes, sete é 3+4; 12 é 3x4. Porque são 7 às sete Igrejas; aqui no capítulo 1 há dois, são 9; no capítulo 14, são 10; logo no 19, são 11; e no 21, são 12 vezes que manda a escrever. “Escreve”, é um interesse de Deus.

OS PERÍODOS DA IGREJA

Continuamos com o verso 11 de Apocalipse 1: “Escreve em um livro o que vês, e envia-o às sete Igrejas que estão na Ásia: A Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”. Aqui vale a pena recordar que este escrito a estas sete Igrejas é uma profecia, e que Deus, através do que fala com estas sete Igrejas, está falando com todas as Igrejas; portanto, seria interessante não somente ver o nome, a não ser o significado profético destes nomes. Muitos irmãos procuraram ver o significado destas palavras e algumas vezes não coincidem uns significados com outros, porque alguns, por exemplo, eu mencionei ao Apríngio de Beja, estive vendo quantos significados dá; ele fala em latim e realmente possivelmente vê o parecido a palavras latinas e não vê as raízes gregas; por isso alguns lhe dão outros significados; mas este livro foi escrito em grego, por isso terá que ir às raízes gregas para encontrar o mais parecido. Não queremos ser dogmáticos, mas sim nos aproximar o mais possível ao grego. Aqui aparecem sete Igrejas que eram históricas, mas também proféticas; quer dizer que se referiam a períodos da igreja.

Diz: “A Éfeso”. Éfeso significa algo assim como descansado, como afrouxado, como se a igreja em seus tempos primitivos, começasse, depois da morte dos apóstolos, porque João foi o último que sobreviveu, a decair um pouco, a afrouxar. Recorde-se que o apóstolo Paulo falando em Mileto aos anciões da igreja em Éfeso lhes disse: “29 Porque eu sei que depois de minha partida entrarão no meio de vós lobos roubadores, que não perdoarão ao rebanho. 30 E de vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas para arrastar atrás de si aos discípulos” (Atos 20:29-30). O mesmo Paulo à igreja em Éfeso lhe advertiu que depois de sua partida haveria um fagote, haveria um perigo; por isso quando estudarmos essa igreja veremos que o Senhor lhe diz: “Recorda, portanto, de onde tem caído”. Esse conceito está implícito nessa palavra Éfeso. A palavra Esmirna tem o significado de amargura; e se vocês virem, refere-se à igreja em tribulação, à igreja em perseguição, à igreja em tribulações difíceis. A palavra Pérgamo vem de muito casado: Hiper e gamia; por exemplo, poligamia quer dizer muitos casamentos, muitas algemas, muitas mulheres; daí vem a palavra gameta, gamo. Amém? Pérgamo quer dizer: muito casado e se refere a esse período da história da Igreja depois do período das perseguições; ou seja, depois do Constantino em diante, quando a Igreja começou a mesclar-se com o mundo; por isso o Senhor lhe fala como aquele que tem a espada para separar o precioso do vil. Depois vem a palavra Tiatira; a esta palavra alguns deram vários significados. Olhando as raízes gregas, alguns a chamaram sacrifício contínuo, mulher dominante, ou torre alta, mostrando que é como esse período em que a Igreja se fez grande, chegou a ser dominante; então é o período medieval, o período da igreja da idade Média, a continuação de Pérgamo. ( A conseqüência do Casamento com o Mundo)

Logo Sardes é a palavra que alguns interpretaram como escapados, que escapam, referindo-se ao período da Reforma, quando saíram do domínio da grande prostituta, que era Roma. Logo a palavra Filadélfia vem da palavra phileo ou amor filial, ou afeto natural, e adelfo que quer dizer irmão; então Filadélfia é o período do amor fraternal, da restauração da visão do corpo de Cristo, como uma etapa posterior à Reforma, como algo que deve acontecer, que deve superar o nível denominacional da Reforma. Por último aparece a palavra Laodicéia, que vem da palavra Laos de onde vem a palavra laicos ou povo, e a palavra dikesis que quer dizer justiça ou direito; de maneira que Laodicéia quer dizer os direitos do povo, referindo-se à época final que é a atual onde a ênfase são os direitos humanos e o governo do povo; às vezes é a anarquia; feito-se comum. Isto depois se verá em mais detalhe, mas é para adiantar um pouquinho.

Voltemos para Apocalipse 1:12 que diz: “12 E me voltei (diz João) para ver a voz (porque ele ouviu que falavam detrás e ele quis ver de quem era a voz) que falava comigo; e voltado, vi sete candeeiros de ouro, 13 e no meio dos sete candeeiros, a um semelhante ao Filho do Homem, vestido de uma roupa que chegava até os pés, e apertado pelo peito com um cinto de ouro”; e segue descrevendo; mas antes de entrar aqui na descrição do Senhor, nos detenhamos um pouquinho no detalhe: O primeiro que viu João quando se voltou a ver a voz que lhe falava, foi os sete candeeiros; depois viu o Senhor no meio dos candeeiros, mas primeiro viu sete candeeiros. Diz: “voltei-me para ver a voz”; o interessante é a relação de voz com candeeiro. “Voltei-me para ver a voz”; a voz se ouve, não se vê, mas ele queria ver quem era o que tinha falado; e o curioso é que o Senhor foi o que lhe falou, mas lhe falou no meio dos candeeiros. Mais adiante vai explicar o mistério dos candeeiros e lhe diz que estes candeeiros são as sete Igrejas; ou seja que quando João quis encontrar a voz do Senhor, o Senhor lhe revelou no meio das Igrejas; como quem diz, ao Senhor lhe encontra na igreja. A igreja tem o ministério da reconciliação, o ministério da palavra, o ministério do Espírito, o ministério do Novo Pacto, e as pessoas se encontram primeiro com a igreja e na igreja encontram ao Senhor; claro que o Senhor está no meio das Igrejas, mas o Senhor quando se revelou e se mostrou a João o primeiro que João vê são candeeiros; ele não descreve primeiro ao Senhor, a não ser os candeeiros. “Voltei-me para ver a voz que falava comigo; e voltado, vi sete candeeiros de ouro”; claro que no meio viu o Senhor, mas ele viu os candeeiros; ele queria discernir a voz do Senhor e o Senhor se apresenta no meio dos candeeiros; isso quer dizer que Deus faz que Sua Igreja seja tida em conta. O Senhor foi à Igreja a que lhe encomendou Sua palavra; até apóstolos como João o primeiro que vêem são os candeeiros. Quando Paulo se converteu, porque o Senhor lhe apareceu no caminho, e até ficou cego, Paulo lhe disse: Senhor, que farei? Mas o Senhor não lhe disse diretamente ainda o que fazer; o Senhor imediatamente o colocou sob a autoridade da igreja; o Senhor lhe disse: Vá à cidade de Damasco, à porta direita; disse-lhe onde tinha que ir, lá à casa de Ananias, e ali te dirá o que deve fazer; ou seja que o Senhor podia dizer diretamente ao Paulo o que o Senhor tinha que lhe dizer, mas o Senhor fez a Paulo honrar à igreja, o Senhor o pôs sob a autoridade da igreja; isso quer dizer que nós não podemos menosprezar o testemunho da igreja porque esses são os candeeiros.

No testemunho da igreja se ouve a voz de Deus; claro que depois temos relação direta com o Senhor, mas normalmente o Senhor nos fala na igreja. Eu penso que se você fizer uma recontagem do que aprendeste que a palavra do Senhor, pode ser que uma percentagem mínima o tenha aprendido diretamente, mas a maior percentagem o aprendeste na igreja, na comunhão com os irmãos, porque o Senhor fala no meio dos candeeiros. O primeiro que mostrou o Senhor ao João, inclusive ao Senhor lá, mas primeiro viu os candeeiros; isso quer dizer que não podemos passar por cima a igreja e que sim encontramos a voz do Senhor na igreja; o Senhor está em meio dos candeeiros, Ele se move como Supremo Sacerdote no meio das Igrejas e é nas Igrejas onde ouvem a voz de Deus. Deus te pode falar diretamente, mas quase sempre te fala pela igreja. Senhor, o que farei? Vá à rua direita e ali te dirá o que deve fazer. O Senhor vai falar, mas através da igreja em Damasco; ele queria que o Senhor falasse direto; o Senhor depois lhe falou direto, mas depois de que esteve submetido à autoridade delegada pelo Senhor à igreja; por isso é que João, quando se voltou para ver a voz que lhe falava, o primeiro que viu foi os candeeiros; e assim as pessoas antes de conhecer cristo vêem a igreja e por isso é tão importante que a igreja dê um bom testemunho, porque se a gente olha à igreja e não encontra o testemunho do Senhor na igreja, dificilmente vai encontrar ao Senhor mesmo. O Senhor quer que a gente encontre a Ele em meio da igreja; por isso irmãos, nunca devemos perder isto de vista. Às vezes nós dizemos: não olhe aos homens e siga somente ao Senhor, mas o Senhor quer que encontrem a Ele nos homens; Deus quer que o Senhor seja encontrado em nós; nós às vezes não tomamos cuidado de cometer um engano e escandalizar às pessoas, e dizemos: É que eu sou pecador, não olhe a mim, olhe ao Senhor; claro que nós somos a igreja, mas o Senhor não quer que nós deixemos a Ele somente o trabalho, não; Ele quer ser encontrado em nós; Deus nos ajude a dar um bom testemunho; que as pessoas que queiram encontrar a Cristo o possa encontrar em meio de nós. A voz de Cristo em meio das Igrejas. Vamos parar por hoje aqui.

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