segunda-feira, 19 de outubro de 2009

23. Os Seres Viventes

Aproximação ao Apocalipse (23)

OS SERES VIVENTES




“E diante do trono havia como um mar de vidro semelhante ao cristal; e junto ao trono, e ao redor do trono, quatro seres viventes cheios de olhos diante e detrás”. Apocalipse 4:6.

RELÂMPAGOS, VOZES E TROVÕES

Vamos continuar com o estudo do Apocalipse e vamos ao capítulo 4 onde ficamos na vez passada. Tínhamos ficado em Apocalipse 4:4, onde falava dos vinte e quatro anciões; hoje vamos continuar considerando estes versos. “5 E do trono saíam relâmpagos e trovões e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus”. Interessante como São João descreve este primeiro aspecto diante do trono. “Do trovão saíam relâmpagos e trovões e vozes”; não é a primeira vez que aparece assim; temos vários versos na palavra onde isto nos apresenta desta maneira. Por exemplo, em Êxodo 19:18-19. Vocês podem dar-se conta, precisamente um momento antes do decálogo, quando o decálogo ia ser dado, a lei ia ser escrita nas tábuas de pedra. “18 Todo o monte Sinai fumegava, porque Jeová tinha descido sobre ele em fogo, e a fumaça subia como a fumaça de um forno, e todo o monte se estremecia em grande maneira. 19 O som da buzina ia aumentando em extremo; Moisés falava, e Deus lhe respondia com voz como de trovão”; ou seja, trovões. Aqui Apocalipse 8:5: “E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o jogou na terra; e houve trovões, e vozes, e relâmpagos, e um terremoto”.

Pelo contexto das vezes que estão aparecendo estas frases vemos que é bom as ter todas, para que nos demos conta do que Deus quer nos representar; Deus é Espírito e é necessário conhecê-lo em espírito, mas fixem-se que Ele se revela com expressões para dar a entender algo, o que é o que se tem que entender. No 11:19 também diz algo semelhante: “E o templo de Deus foi aberto no céu, e o arca de seu pacto se via no templo. E houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e grande granizo”. No capítulo 16:17,18: “17 O sétimo anjo derramou sua taça pelo ar; e saiu uma grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Feito está. 18 Então houve relâmpagos e vozes e trovões, e um grande tremor de terra, um terremoto tão grande, qual não o houve jamais desde que os homens estiveram sobre a terra”. Então aí aparecem de novo relâmpagos, vozes e trovões. Outra passagem está em Ezequiel 1:13. Hoje vamos, mais tarde, a estar vendo um pouco de Ezequiel. “Quanto à semelhança dos seres viventes, seu aspecto era como de carvões de fogo acesos, como visão de tochas acesos que andava entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos.” Em Apocalipse 1:4: “João, às sete Igrejas que estão na Ásia: Graça e paz a vós, do que é, e que era e que ha de que vir, e dos sete espíritos que estão diante de seu trono”. Com estes versos estamos tomando outras passagens paralelas aonde o que nos expressa aqui e é expresso também ali e ao olhá-lo em conjunto podemos entender com a ajuda do Senhor melhor sua linguagem.

UM TRONO DE JULGAMENTO

O trono de Deus aparece aqui como uma coisa séria, aparece revelando a santidade de Deus; obviamente que a santidade de Deus é julgamento contra o pecado. Por uma parte, na vez passada tínhamos visto um aspecto do trono; tínhamos visto que ao redor do trono estava um arco íris em aspecto semelhante à esmeralda, mostrando a fidelidade de Deus, mas o Deus que é amor também é fogo consumidor. Na santidade de Deus se une o amor de Deus, a fidelidade de Deus e o julgamento de Deus. O trono de Deus é também um trono de julgamento, é um trono onde a santidade de Deus se pronuncia em contra do pecado de suas criaturas; por isso quando aparecia no monte Sinai: Não roubará, não matará, não mentirá, isso era como trovões; era a voz de Deus opondo-se com todo seu coração ao mal; por isso o povo o recebia como trovões, como relâmpagos; e tem que ser assim porque nós os seres humanos, quando estamos em escuridão, se todas as coisas forem agradáveis, se todas as coisas forem fáceis, parece que não tomamos consciência da santidade de Deus.

Somente Deus conhece suas criaturas; Ele nos conhece, Ele sabe que se todas as coisas fossem fáceis nós não entenderíamos a Deus e nos inclinaríamos e nos venderíamos ao pecado; então o Senhor tem que fazer algo que nos ponha em nosso ponto, em nosso lugar. Por isso Ele às vezes se revela de uma maneira séria, de tal forma que conheçamos o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria.

Estas questões que aparecem aqui como relâmpagos, vozes e trovões é com o objetivo de fazer sábias a suas criaturas, porque o princípio da sabedoria e a sabedoria mesma, as duas coisas estão escritas, é o temor do Senhor; a reverência. O trono de Deus é um trono de justiça, é também um trono de julgamento, o mesmo é também um trono de graça; mas então aqui nos apresentam os dois aspectos: o trono de graça, revelado no arco íris, e o trono de julgamento, revelado aqui na santidade de Deus pronunciando-se contra o pecado das criaturas.

“E diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, os quais são os sete espíritos de Deus”. Já quando estudamos o capítulo 1 nos detivemos um pouco nisto dos sete espíritos de Deus; em outra parte diz a Escritura que o Espírito de Deus é um, mas aqui aparece como os sete espíritos de Deus. No livro de Isaías, capítulo 11:2, como recordava na vez passada, aparece o Espírito de Deus em sete aspectos. Notem-se em que o modelo que fez Moisés, tendo visto as coisas quando subiu daquele ladrilhado de safiras, etc., ele fez um modelo, ele colocou a arca no lugar central, ou seja, no lugar do trono; colocou os querubins em lugar dos seres viventes, e colocou também o castiçal no Lugar Santo diante do Senhor, o qual tem sete braços e tem sete lâmpadas, e as lâmpadas representam ao Espírito. Então aqui aparecem também nestes Isaías sete aspectos do Espírito. No castiçal está o cano central e três braços à direita, e três braços à esquerda; três e três são seis, e o cano sete; então aparece aqui: “E repousará sobre ele o Espírito de Jeová; (aí está como dizer o cano central) espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de poder, espírito de conhecimento e de temor de Jeová”; ou seja, Deus revelando-se desta maneira sétupla: Espírito de Jeová que é o cano central, porque é um só Espírito que se revela em distintos aspectos; então aparecem por pares. Dão-se conta dos pares? Os braços do castiçal são pares e aparecem aqui os pares: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de poder, espírito de conhecimento e de temor de Jeová. O Espírito do Senhor aparece assim sétupla, especialmente aqui em Apocalipse. Em Isaías se faz um pequeno adiantamento, mas é em Apocalipse quando aparece o Espírito do Senhor manifestado desta maneira sétupla, como o irmão Witness Lee dizia: intensificado, para cumprir a economia de Deus.

O TRONO DE DEUS E O TABERNÁCULO

Vamos comparando-o com o tabernáculo: no Lugar Santíssimo estava a arca que se corresponde com o trono; no Lugar Santo estava o candeeiro que se corresponde com as sete lâmpadas, os sete espíritos de Deus; e no Átrio estava a bacia de bronze onde eles se viam; porque essa fonte de bronze tinha sido feita com os espelhos das mulheres de Israel. Alguém, quando se aproximava dessa bacia de bronze, esse alguém se via si mesmo para poder lavar-se, porque um não se pode lavar se não se vá a si mesmo; só quando um se reconhece e reconhece seus pecados e os confessa é que alguém pode lavar-se. É por isso que havia uma bacia de bronze feita com os espelhos de bronze das mulheres de Israel; elas se refletiam no bronze; era o bronze representando o julgamento de Deus; é o julgamento de Deus o que nos faz nos conhecer a nós mesmos; como estávamos dizendo, às vezes não nos damos conta do que somos até que a disciplina do Senhor nos toca um pouco. O objetivo da disciplina é que nos conheçamos a nós mesmos, que entendamos que nos estamos colocando por um caminho que não é; para poder nos reconhecer e nos limpar; isso estava no Átrio; então, esse mar de bronze, que assim era chamado “mar de bronze” como uma pia de batismo grande, aqui se corresponde com o mar de cristal; vocês vêem aqui o que estava à frente. Apocalipse 4:6: “E diante do trono havia como um mar de vidro semelhante ao cristal”. Este mar de vidro semelhante ao cristal aparece também em outras passagens de Apocalipse; por exemplo, no capítulo 15:1,2, aparece depois de ter visto o sinal: “1 Vi no céu um sinal, grande e admirável”. O Senhor mostra a João vários sinais; por exemplo: a mulher dando a luz um menino varão é um sinal; o dragão com sete cabeças e dez chifres é outro sinal; Deus através dos sinais fala, porque uma imagem fala mais que muitas palavras. Com uma imagem um entende muitas coisas; por isso o Senhor falava em parábolas, verdade? Para que os entendidos possam entender; e aqui aparece outro sinal; ou seja, que Deus fala em sinais e este outro sinal diz: “grande e admirável: sete anjos que tinham as sete pragas últimas; porque nelas se consumava a ira de Deus”. Fixem-se em que contexto aparece aqui o mar de cristal; notem no que era o que havia no Átrio. No Átrio era onde se reconhecia o pecado e se julgava o pecado e se limpava o pecado; esse era o trabalho no átrio. As pessoas entravam, os sacerdotes entravam, viam-se na fonte, lavavam-se e ali no átrio era onde se oferecia o sacrifício, onde os pecadores punham suas mãos em cima dos animais a ser sacrificados, confessando seus pecados, e esse sacrifício era pelos pecados. No átrio é onde os homens reconhecem seus pecados para poder ter acesso à presença de Deus. Nós vimos que ao começar a descrever o trono, primeiro nos falou do arco íris; isso é no Lugar Santíssimo, verdade? Mas nos descreve depois para fora que havia trovões, vozes e relâmpagos; o trono de graça é também o trono de julgamento; a diferença radica em nós; se nós reconhecermos nossos pecados, nós temos o oportuno socorro e acesso ao trono de graça, mas se não reconhecermos nossos pecados, então o trono de graça se volta um trono de julgamento. “Se nosso coração nos repreender, maior que nosso coração é Deus” (1 Jo. 3:20). O mesmo trono é trono de graça; lhe chama “trono de graça” em Hebreus, mas também é “trono de julgamento”, verdade? A graça se reflete no arco íris, o julgamento se reflete em vozes, trovões, relâmpagos.

A BACIA DE BRONZE E O MAR DE CRISTAL

A posição de Deus é contra o pecado; e aqui mesmo então, quando estamos nesta descrição da ira de Deus, que é o julgamento do pecado, aí aparece o mar de vidro, que é como dizer o que estava representado pelo tanque de bronze, pela pia de bronze; isso se corresponde com o mar de vidro; e vemos em Apocalipse 15:2, nesse contexto dos sete anjos a ponto de fazer julgamento, que estavam no mar de vidro. Onde se faz o julgamento? Onde se reconhece o pecado e se trata o pecado? No átrio, não é assim? E aqui aparece em Apocalipse 15:2 que diz: “Vi também como um mar de vidro misturado com fogo; (esse é o juízo de Deus, essa é a pia de bronze, o mar de cristal misturado com fogo) e aos que tinham alcançado a vitória sobre a besta e sua imagem, e sua marca e o número de seu nome, em pé sobre o mar de vidro, com as harpas de Deus são os que foram purificados, verdade? Diz que a tribulação, o julgamento, é para purificação; notem esse conceito; é o mesmo conceito que encontramos em Daniel. O capítulo 11 precisamente fala da grande tribulação, que é o julgamento, que é o tempo em que se derramam as sete taças; aí nos descreve. Leiamo-lo do versículo 31 para ter o contexto completo; aqui está falando do período do anticristo. Daniel 11:31: “31 E se levantarão de sua parte tropas que profanarão o santuário e a fortaleza, e tirarão o contínuo sacrifício, e porão a abominação desoladora”. Essa expressão “a abominação desoladora”, é característica do tempo do anticristo, do tempo da ira e do tempo das sete taças da ira. E nesse contexto final da ira, diz: “32 Com lisonjas seduzirá aos violadores do pacto; mas o povo que conhece seu Deus se esforçará e atuará. 33 E os sábios do povo instruirão a muitos; e por alguns dias (aqui o julgamento é para a Igreja, como diz o apóstolo Pedro: é necessário que o julgamento comece pela casa de Deus; não sintam saudades da tribulação que lhes sobreveio; às tribulações, perseguições que sofria a igreja, Pedro as explica como a purificação de Deus para seu povo; e aqui diz o mesmo) cairão a espada e a fogo, em cativeiro e despojo. 34E em sua queda serão ajudados de pequeno socorro; e muitos se juntarão a eles com lisonjas. 35 Também alguns dos sábios cairão para (aqui está o objetivo) ser depurados e limpos e embranquecidos, até o tempo determinado; porque até para isto há prazo”.

O JULGAMENTO DE DEUS NOS FAZ TRANSPARENTES

Então, quero lhes chamar a atenção a isso. Diz: limpos, purificados, depurados. Como se chamava esse mar? Mar de cristal; e o que nos fala o cristal? Fala-nos da transparência. Que era o que havia no Átrio do tabernáculo? A pia de bronze, que era com espelhos, para olhar-se, para reconhecer o pecado, pois o julgamento de Deus é o que nos faz transparentes. Olhem o que diz já ao final da Nova Jerusalém: que era diáfana como o cristal, transparente como vidro; quer dizer, que não distorce a glória de Deus. Disso é do que nos fala mar de cristal e de fogo, do julgamento de Deus, da purificação de Deus. Agora, o que nos dizia Daniel? Que alguns nesse período passaram, foram purificados por meio da perseguição, por meio da mesma espada, do mesmo fogo, do mesmo cativeiro, do mesmo despojo, foram purificados, limpos, embranquecidos. Em que tempo? No tempo em que se manifesta o julgamento de Deus, onde se consuma a ira de Deus, que são as sete taças. As sete taças consumam a ira de Deus. É nesse contexto do julgamento, da ira de Deus, que se consuma nas sete taças. Apocalipse 15:2: “Vi também como um mar de vidro misturado com fogo; e aos que tinham alcançado a vitória sobre a besta e sua imagem, e sua marca e o número de seu nome, em pé sobre o mar de vidro, com as harpas de Deus”. Como dizia em outra passagem, “estes são os que saíram da grande tribulação, e lavaram suas roupas, e as embranqueceram com o sangue do Cordeiro” (Ap. 7:14) e venceram.

Estes vencedores são aquelas pessoas que aplicaram o julgamento de Deus a suas vidas e também a redenção; quer dizer, reconheceram seus pecados, humilharam-se, foram limpos, submeteram-se à disciplina de Deus, porque o julgamento começa pela casa de Deus. Pelo mundo ter aflito à Igreja é que o mundo vai ser aflito, mas primeiro é afligida a Igreja. Vejamo-lo em 2 Tessalonicenses 1:3-8: “3 Devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, como é digno, por quanto sua fé vai crescendo, e o amor de todos e cada um de vós abunda para com outros; 4 tanto, que nós mesmos nos glorificamos de vós nas Igrejas de Deus, por sua paciência e fé em todas suas perseguições e tribulações que suportam. 5 Isto (o que é isto? a igreja passando por tribulações, por perseguições, por provas, por situações difíceis) é demonstração do justo julgamento de Deus, (quando passamos provas é porque Deus nos está purificando) para que sejam tidos por dignos do reino de Deus, pelo qual deste modo padecem”. Isso é passar pelo átrio, isso é sair graciosos no mar de cristal com fogo, mar de vidro, ficar em cima do cristal com as harpas de Deus. “6 Porque é justo diante de Deus pagar com tribulação aos que lhes afligem”. Primeiro é afligida a Igreja porque o julgamento começa pela casa de Deus; nossas provas são para nos purificar; mas por causa de que o mundo nos afligiu, Deus afligirá ao mundo. “É justo diante de Deus pagar com tribulação aos que lhes afligem, 7 e a vós que sois aflitos, lhes dar repouso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus do céu com os anjos de seu poder, 8em chama de fogo, para dar retribuição aos que não conheceram Deus, nem obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”. Aí está; esse é o julgamento de Deus. Deus sempre exerceu julgamento mas não se consumou sua ira; sua ira se consuma nas sete taças, verdade? E os que até nas sete taças não se arrependem, então vão ao lago de fogo.

QUATRO SERES VIVENTES

Voltemos para Apocalipse 4:6: “E diante do trono havia como um mar de vidro semelhante ao cristal. Isso é o que representa esse mar de vidro; representa às pessoas que passaram pelo julgamento de Deus, que se purificaram e por isso estão de pé com as harpas de Deus nesse lugar. É como os pecadores que vieram ao átrio e confessaram seus pecados; ali morreram com Cristo, ao pôr seus pecados sobre aquele bezerro mostrando que eram eles os que mereciam morrer, aceitando o julgamento de Deus a seu próprio ego, a seu próprio eu, submeteram-se, e ao submeter-se aceitaram a disciplina de Deus e foram limpos pelo sangue juridicamente e transformados organicamente pelo Espírito; salvos da ira e salvos pela vida. O Espírito e o sangue. O sangue juridicamente e o Espírito organicamente. Esse é o sentido deste mar de vidro semelhante ao cristal. Não podíamos passar muito rápido por cima disto. “E junto ao trono, (que coisa grande! Como nos fala de Deus, de seu amor pelas criaturas, junto ao trono; assim como tínhamos visto os vinte e quatro tronos daqueles anciões, agora Deus tem ali quatro criaturas misteriosas que representam distintos aspectos da natureza, como representando toda a criação. Na presença de Deus estão estas quatro criaturas que diz ali) e ao redor do trono, quatro seres viventes cheios de olhos diante e detrás”. Diante para ver Deus e detrás para ver o resto da criação; e em outra passagem diz que também têm olhos por dentro, quer dizer, para conhecerem-se si mesmos.

Quando a gente está perto de Deus, então a gente conhece Deus, conhece a si mesmo e conhece as demais coisas; quanto mais perto de Deus estejamos mais visão temos; as criaturas que mais olhos têm, são as que estão mas perto de Deus. Vamos ver depois em Ezequiel a descrição dos querubins e das rodas cheias de olhos; por que? porque a glória de Deus está ali; quer dizer que a glória de Deus está diante dos que podem ver; porque Deus para que nos dá olhos? Para conhecê-lo, mas não só conhecê-lo ele, mas também conhecermos a nós mesmos; por isso tinham olhos por dentro e também para conhecer o mundo. Quando nós não conhecemos Deus, estamos longe de Deus, nós mal entendemos a Deus, e fazemos perguntas: mas por que isto? mas por que aquilo? Não entendemos a Deus, não entendemos a nós mesmos, não entendemos o mundo, não entendemos o que acontece; mas como diz no Salmo, quando cheguei ao Santuário de Deus, compreendi. Na presença de Deus é que alguém compreende; quando a gente está longe de Deus, está nas trevas, não entende a Deus, não se entende a nós mesmos, não entende a criação, o mundo, não entende o julgamento de Deus, não entende nada; só quando está perto de Deus começa a ver; e Deus é tão bom que às criaturas mais próximas dá mais olhos; as que têm mais olhos são as que estão mais perto de Deus. Cheias de olhos por diante para ver Deus, e por detrás para ver o mundo. Mas para completar esta cena celestial, também vamos ver em outras passagens, pois aqui não o contou João, mas o contou Ezequiel e o contou também Isaías, que também tinham olhos por dentro, quer dizer, para conhecer a si mesmos na presença de Deus. A pessoa não se pode conhecer com sua própria introspecção; a introspecção não é suficiente para nos conhecer; às vezes nem examinamos a nós mesmos; por isso Deus tem que nos corrigir para que nos examinemos. Ele diz que tenhamos olhos para nos ver à luz de Deus.

Há um verso que diz: “Na tua luz veremos a luz” (Sl. 36:9), quer dizer, que não é em nossa própria luz que nós vemos as coisas como são. Nós temos nossas próprias opiniões, estamos supremamente satisfeitos como nós pensamos, mas não estamos vendo como Deus vê; só quando vamos a Deus vemos as coisas do ponto de vista de Deus, e é a presença de Deus a que nos faz entender a Ele e entender as coisas desde seu ponto de vista.

Por isso eu me alegro muito em que Deus queira ser um Deus que se revela às criaturas e permite às criaturas conhecê-lo cada vez mais a Ele, conhecer a si mesmos e conhecer toda a realidade. Estes seres viventes cheios de olhos diante e detrás nos dizem muito.

DIVERSAS CLASSES DE SERES VIVENTES

Antes de passar à descrição dos seres viventes, quero lhes chamar a atenção ao seguinte: na Bíblia aparecem várias classes de seres viventes; há seres viventes que são serafins e há seres viventes que são querubins; no caso dos serafins se descreve cada um com um só rosto, embora os distintos serafins têm diferentes rostos cada um deles; entretanto, quando se descreve aos serafins lhes descreve com um só rosto. Quando se descreve aos querubins, descrevem-se querubins com quatro rostos e querubins com um rosto. Descrevem-se seres viventes serafins com seis asas: duas asas para cobrir seu rosto porque estão vendo a glória de Deus, de tal maneira que têm que cobrir-se. Não me verá homem; eles não são homens, mas ainda eles também têm que cobrir-se. Com duas asas voavam e com duas cobriam seus pés; é um sinal de humildade; em troca os querubins que vamos ver agora, são descritos com quatro asas: com duas asas estendidas voavam, faziam ruído como de multidão de muitas águas, como a voz do Onipotente, e com dois cobriam seus corpos. São criaturas misteriosas que Deus mostrou ao Ezequiel, mostrou ao apóstolo João, mostrou a Isaías, e nem todas são iguais; e por isso devemos nos deter um pouquinho para poder fazer essa classificação. Seres viventes serafins com um rosto cada um, diferente um do outro, cada um representando um aspecto distinto, cada um vendo Deus e glorificando-o desde seu próprio ângulo, desde sua própria identidade, porque o número quatro representa a amplitude da criação. A Bíblia em muitas partes, quando se refere à generalidade da criação, fala como dos quatro cantos da terra; isso está em várias partes da Bíblia; vocês encontrarão essa expressão: os quatro cantos da terra; então aqui estes quatro seres viventes é como se representassem os quatro ângulos da terra, todos vendo Deus com um ângulo distinto e uma identidade distinta; um tem rosto de leão, representa uma coisa; outro tem rosto de bezerro, representa outra coisa; outro tem rosto de águia voando, representa outra coisa, outro tem rosto de homem, representa outra coisa. Um só rosto, quatro ângulos, olhando a Deus e santificando a Deus, vendo-o dos quatro ângulos; imaginem-se também como o Senhor Jesus é visto desde quatro ângulos. A história do Senhor Jesus foi uma só, mas Mateus a vê de um ângulo; digamos Mateus fala do aspecto do Messias, do rei dos judeus, o leão da tribo de Judá; em troca Marcos vê o mesmo Senhor Jesus, vê como o servo de Deus, como o Cordeiro de Deus, como o bezerro do sacrifício; em troca Lucas nos conta a história do Senhor Jesus, e Lucas começa não como Mateus desde Abraão; Lucas começa desde o Adão, e aí está o homem com suas datas, no ano tal, o rei tal, o tetrarca tal e qual; ele sim é como um verdadeiro historiador humano; aí aparece Lucas olhando ao Senhor Jesus desde outro ângulo, do ângulo do homem. Logo aparece João com esses olhos profundos, vendo a intimidade e as coisas profundas do Senhor, como se fora a águia voando; João representando a águia, Mateus representando o leão, Marcos representando o bezerro, Lucas representando o homem; são os quatro rostos destes serafins
Primeiro são serafins e cada um tem um rosto, o qual é muito significativo; depois aparecem querubins de outra categoria com quatro asas que são os querubins que levam o trono do Senhor.

Vocês recordam que a arca tinha que ter umas barras porque essas barras representam o movimento de Deus; essas barras eram para transladar a arca e a arca estava com querubins; no propiciatório havia um querubim em um extremo, outro querubim em outro extremo e por isso se fala do Senhor como o que mora entre os querubins; assim diz Davi, assim diz Asaf; assim diz Ezequias em Isaías, em Crônicas e em Reis. Essa era uma expressão típica que se dizia de Deus, que mora entre os querubins; como nós cantamos: entronizamos; você está entronizado entre os querubins. Os querubins são descritos, e vamos ver agora, como os que transportam a Deus, e por isso a arca tinha umas varas para transportá-la mostrando o movimento de Deus. O que quer dizer isso? Mostrando o interesse de Deus sobre a terra. Vou recalcar uma coisa curiosa que aparece ali em Isaías e que vamos ler. Estão os serafins adorando a Deus no céu, mas eles o que confessam no céu é que a terra está cheia da glória de Deus. Eles estão no céu glorificando a Deus, mas elos não estão falando dos planetas, não estão falando dos lugares celestiais, eles estão dizendo que a terra está cheia da glória de Deus. A glória de Deus se revela na terra e até o céu tem como espetáculo à terra.

Desde Gênese se diz que Deus criou as estrelas para iluminar sobre a terra; claro que também iluminam ao outro lado, mas a Bíblia diz por inspiração do Espírito Santo que iluminam sobre a terra; porque é que do outro lado há gases, há metais, há muitos elementos químicos, mas aqui na terra, Deus escolheu fazer ao homem a sua imagem, Deus decidiu encarnar-se como um homem da terra e decidiu pôr seus pés na terra, de maneira que a terra é o filme que se vê no céu; o que acontece na terra, o que acontece em nossos corações, é o interesse do céu; por isso é que se move a glória de Deus; a glória de Deus de repente se aparece aqui em Babilônia, que é o que está passando com o Israel; às vezes, decide apartar-se e abandoná-los e deixá-los a julgamento, depois retorna; às vezes quando os querubins vão revelar o julgamento de Deus, então chegam fazendo esse tremendo ruído com suas asas como a voz do onipotente, e Deus vem e se levanta sobre os querubins e entra no templo, e revela a Ezequiel todas as misérias que se estão fazendo na casa de Deus e a razão pela qual o vai abandonar; e logo se levanta Deus sobre os querubins e se vai. Essa é uma intervenção do julgamento de Deus; Deus se move. Existe sempre na história o mover de Deus; às vezes o mover de Deus é para julgamento, às vezes para avivamento, para edificação; há tempo de edificar e há tempo de espalhar pedras; e quem conhece o tempo da intervenção de Deus? Deus mesmo. De maneira que Deus é transportado por estes querubins; chega no momento do julgamento, Deus se vai com os querubins, abandona a casa, vem Nabucodonosor, destrói o templo, destrói a casa, é o tempo de julgamento; mas quando você lê por exemplo, o Salmo 18 do Davi que está em parte chamado e misturado com outros no segundo livro do Samuel, Davi apresenta a intervenção de Deus em querubins também para salvá-lo; ou seja, poder de Deus às vezes para salvar, para edificar, para construir, e o mover de Deus às vezes para julgar.

Vamos ver isso para entender o outro aspecto desse mover de Deus sobre os querubins. O Salmo 18 está registrado misturado com outras entrevistas de outros Salmos em 2 Samuel 22:1-51. Corresponde-se com o Salmo 18, só que tem algumas passagens de outros Salmos.

DEUS VOOU SOBRE UM QUERUBIM PARA DAR LIVRAMENTO

Vou ler uma porção do Salmo 18, já que não temos o tempo de lê-lo todo para que vocês vejam como Davi percebeu em seu espírito a intervenção de Deus em seus querubins para salvá-lo; da mesma maneira que a Ezequiel foram abertos os olhos para ver a intervenção de Deus em julgamento; essa intervenção é para julgamento ou é para salvação; os dois aspectos. No Salmo 18, olhem como começa ali Davi: “Ao músico principal. Salmo do Davi, servo do Jeová, o qual dirigiu a Jeová as palavras deste cântico no dia que lhe livrou Jeová das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.

Então disse: Te amo, Oh Senhor, fortaleza minha. 2 Jeová, minha rocha e meu castelo, e meu libertador; meu Deus, fortaleza minha, nele confiarei; meu escudo, e a força de minha salvação, meu alto refúgio. 3 Invocarei a Jeová, quem é digno de ser louvado, e serei salvo de meus inimigos.

4 Me rodearam ligaduras de morte, e correntes de perversidade, atemorizaram-me. 5 Ligaduras do Seol me rodearam, tenderam-me laços de morte. 6 Em minha angústia invoquei a Jeová, e clamei a meu Deus. Ele ouviu minha voz desde seu templo, e meu clamor chegou diante dele, a seus ouvidos. 7 A terra foi comovida e tremeu; comoveram-se os alicerces dos Montes, e se estremeceram, porque se indignou ele.

8 Fumaça subiu de seu nariz, e de sua boca fogo consumidor; carvões foram acesos”. Estes carvões que eram os que estavam no altar, representam a santidade de Deus. “9 Inclinou os céus, e desceu; e havia densas trevas debaixo de seus pés. 10 Cavalgou sobre um querubim, e voou; voou sobre as asas do vento. 11 Pôs trevas por seu esconderijo, por sua cortina ao redor de si; escuridão de águas, nuvens dos céus. 12 Pelo resplendor de sua presença, suas nuvens passaram; granizo e carvões ardentes. 13 Trovejou nos céus Jeová e o Altíssimo deu sua voz; granizo e carvões de fogo. 14 Enviou suas setas, e os dispersou. Lançou relâmpagos, e os destruiu. 15 Então apareceram os abismos das águas, e ficaram ao descoberto os alicerces do mundo, a sua repreensão, Oh Jeová, pelo sopro do fôlego de seu nariz”. Agora, se vocês lerem todo o Salmo completo que não temos tempo de lê-lo agora, vão dar conta de que é um Salmo messiânico. Olhem o que diz, por exemplo, o versículo 49: “49 Por tanto eu te confessarei entre as nações, Oh Jeová, e cantarei a seu nome. 50 Grandes triunfos dá a seu rei, e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência, para sempre”. Vemos que é Salmo messiânico. Aqui aparece Deus em seus diferentes movimentos sendo transportado pelos querubins.

“Voou sobre um querubim”; o mesmo vamos ler agora ali em Ezequiel.

A SANTIDADE DE DEUS

Mas então voltemos ali para Apocalipse 4 para mais ou menos fazer essas classificações. Há serafins que estão ao redor do trono de Deus; estes quatro seres viventes que aparecem aqui são serafins.

Leiamos o resto do verso até o 8 para ter em conta esse contexto das asas deles que os identifica com os serafins: “7 O primeiro ser vivente era semelhante a um leão; o segundo era semelhante a um bezerro; o terceiro tinha rosto como de homem; e o quarto era semelhante a uma águia voando.” Isso é o que estamos dizendo: a criação representada nestas criaturas perto de Deus e cada um com um ângulo diferente, assim como Jesus é visto como a arca, como o trono de Deus, pelos evangelistas de maneira diferente, mas cada um representa um aspecto do Senhor Jesus. “8 E os quatro seres viventes tinham cada um seis asas, e ao redor e por dentro estão cheios de olhos”. A princípio havia dito no verso 6: “cheios de olhos diante e detrás”, mas aqui no verso 8, diz: “ao redor e por dentro estavam cheios de olhos, e não cessavam dia e noite de dizer: Santo, santo, santo é o Senhor Deus Todo-poderoso, que era, que é, e o que tem que vir”. Estes serafins estão na presença de Deus confessando sua santidade, reconhecendo a Deus em sua santidade. Na santidade de Deus se reúnem os dois aspectos: tanto o aspecto de Deus como amor, como o aspecto de Deus como fogo consumidor; tanto o aspecto da misericórdia, da graça, como o aspecto do julgamento de Deus; isso está junto na santidade de Deus e é o que proclamam estes serafins. Aqui não lhes chama serafins, a não ser seres viventes, mas em Isaías 6, lhes chama serafins.

Vamos a Isaías capítulo 6. Nos lembremos de que em Apocalipse é onde se termina toda a revelação, mas a revelação começou nos livros anteriores. Isaías 6 descreve assim: “1 No ano em que morreu o rei Uzias vi eu ao Senhor sentado sobre um trono alto e sublime, e as abas de suas vestes enchiam o templo”. Se vocês lerem o resto do capítulo e o compararem com São João capítulo 12, vocês se vão dar conta de que São João explica que o que viu Isaías foi ao Senhor Jesus Cristo, que é a teofania especial de Deus; ou seja, a expressão, a imagem do Deus invisível. Deus o Pai é invisível e só pode ser visto através do Filho; e isso o explica São João no capítulo 12, que isto que viu Isaías se referia a Cristo, que é a imagem de Deus. “2Por cima dele havia serafins; cada um tinha seis asas”. Quando se compara os seres viventes querubins em Apocalipse com os do Ezequiel, eram querubins e tinham quatro asas e quatro rostos cada um, em troca aqui os serafins são um rosto diferente cada um e seis asas; ou seja, são seres viventes de outra categoria; por isso é que se falou na história do cristianismo de doutores angélicos, de doutores querúbicos e doutores seráficos. Vocês escutaram falar que fulano de tal, que Tomás de Aquino é doutor angélico, que Boaventuna é doutor seráfico, que fulano é doutor querúbico.

Quando lerem a história da igreja, verão que se registra isso; mas se falava pelo nível de sua teologia, da revelação deles, falava-se deles como um doutor angélico, de outros homens de Deus se falava como um doutor querúbico e de outros como um doutor seráfico; doutor seráfico era aquele irmão teólogo que maior revelação e luz tinha mostrado em sua teologia; a eles chamavam doutores seráficos, a outros querúbicos e a outros angélicos. Agora, se Tomás de Aquino que foi conhecido na história como alguém tão tremendamente filosófico, e era apenas doutor angélico, imaginem-se o que queriam dizer aqueles que os classificaram como doutores querúbicos e seráficos. Bom, isto é para mostrar as categorias celestiais destas criaturas e para não as confundir. Em Apocalipse 4:8, diz: “E os quatro seres viventes tinham cada um seis asas, e ao redor e por dentro estavam cheios de olhos”; e agora, o que eles diziam é o mesmo que diziam os serafins a Isaías.

Voltemos para Isaías 6:2: “2 Por cima dele havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobriam seus rostos, com duas cobriam seus pés, e com duas voavam. 3E um ao outro (Que interessante!) clamavam, dizendo: (não somente diziam ao Senhor, mas também entre eles mutuamente, reconheciam ao Senhor: Santo é o Senhor, mas eles mesmos proclamavam entre si a santidade do Senhor; complementarmente um desde seu ângulo, o outro do seu, o outro do seu; eles mutuamente reconheciam entre si a santidade do Senhor) Santo, santo, santo, (isto é o que se chama o triságio, tri de três e ágio de santo no grego; triságio quer dizer: Santo, santo, santo, três vezes Santo; aqui está revelada a Trindade; Deus aqui aparece três vezes santo: o Pai, o Filho e o Espírito) Jeová dos exércitos; toda a terra está cheia de sua glória”.

A isso era ao que queria lhes chamar a atenção; eles estão no céu, estão glorificando ao Senhor, mas vêem que Sua glória se revela na terra; quer dizer, se não tivesse havido encarnação, se não tivesse havido redenção, dificilmente se teria conhecido plenamente a glória de Deus; por isso se dizia que a terra é o filme que se vê nos céus; por isso se diz que somos espetáculo aos anjos, não somente ao mundo e aos homens, a não ser aos anjos; e diz também em Pedro que os anjos desejam ver as coisas que acontecem na terra com os Santos.

OS SERAFINS E A GLÓRIA DE DEUS

Eles estão no céu, mas estão falando da terra; estão glorificando a Deus que é Santo, mas dizem: “toda a terra está cheia de sua glória”. Agora, não conhecemos sua glória, mas esta enche; eles, do ponto de vista deles, eles que estão cheios de olhos para ver Deus, para ver a si mesmos e para ver a criação, eles sim entendem; eles não se perguntam: por que acontece isto? Por que há guerras? Por que os meninos morrem de fome? Por que estas minas quiebrapatas tiraram a perna deste menino? Eles não perguntam isso; eles vêem as coisas desde outro ponto de vista, eles vêem a terra e vêem a terra cheia da glória de Deus, porque eles vêem melhor que nós. À medida que nos aproximamos de Deus vamos entendendo por que isto, por que isto, por que aquilo, e vemos distinto. Na presença de Deus se vêem as coisas distintas; no santuário de Deus se entendem as coisas; então eles vêem a terra e não vêem os paramilitares somente brigando contra os guerrilheiros e os guerrilheiros seqüestrando, não, eles vêem toda a terra cheia da glória de Deus; eles vêem as coisas incluindo Deus, incluindo o objetivo de Deus, incluindo o sentido dos sofrimentos; em troca, longe de Deus não se vê.

Por isso diz Habacuque pelo Espírito Santo que a terra será enche não só da glória, porque já está cheia da glória; será cheia do conhecimento de Sua glória; ou seja, que na terra será revelada Sua glória. A terra é muito importante; é um planeta pequeno, é um pontinho pequeno ao redor de tantas galáxias, mas aqui estamos nós e aqui veio nosso Deus e se fez homem e daqui nos leva a seu mundo. Sigamos em Isaías 6:4: “As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.” É o mesmo que diz depois em Apocalipse 15. “A casa se encheu de fumaça”; então quando a casa se encheu de fumaça, a santidade de Deus frente ao que estão fazendo os seres livres, que nos deixou livres para nos provar e o que fizemos nesta prova? Miséria, coisas horríveis, loucuras terríveis, loucuras; então se encheu de fumaça. “5 Então disse: Ai de mim!” Isaías era um profeta de Deus; pensava que estava muito bem, mas na presença de Deus: Ai! Como João. João se recostava no peito do Senhor, mas quando viu sua glória, caiu como morto. Jó também caiu como morto, igual a Isaías. “Ai de mim! que sou morto; porque sendo homem imundo de lábios, e habitando em meio de povo que tem lábios imundos, viram meus olhos ao Rei, Jeová dos exércitos”. João diz que é Jesus; Isaías que é Jeová. Vêem a identidade? Agora, notem que coisa interessante é o que vem no verso 6: um homem, Isaías, pecador, que se confessa pecador, fica no mesmo lugar que seu povo, é objeto de um serafim desses quatro; possivelmente seja o de bezerro que representa a redenção, vem e deixa de confessar a santidade de Deus e a segue confessando com um ato diferente, já não de aclamação, a não ser olhem como: “6 Então, um dos serafins voou para mim”; isto não o ia fazer sem direção de Deus; ele estava glorificando a Deus, mas olhem o que faz Deus; está me louvando, mas agora te ocupe deste pecador; este se sente imundo, não o deixe fundo nesse sentimento, vê, purifica-o. Que beleza a do Senhor! “Um dos serafins, tendo em sua mão uma brasa acesa, (isso é o que representa a brasa, o fogo do altar, a santidade do Senhor) tirada do altar com umas tenazes; 7 com a brasa tocou a minha boca, (o querubim necessitava tenazes, em troca, a boca de Isaías podia recebê-lo diretamente; que precioso! É porque Isaías tem que proclamar na terra a glória de Deus.

Agora, eles estão proclamando-o no céu, proclamam o que acontece na terra, mas Isaías vai falar Por Deus na terra) disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado”.

Eles, ao confessar a santidade de Deus, não por isso deixam de obedecer a Deus para representar a graça de Deus, assim como os querubins às vezes trazem para Deus para salvar; às vezes trazem para Deus para julgar. Os querubins têm uma função diferente. Você não vê os serafins castigando, vê os serafins pondo o carvão para purificar; em troca, os querubins desde o começo, desde sua primeira aparição em Gênese, são postos para guardar o caminho à árvore da vida; ou seja, para fazer respeitar a Deus quando o homem é cego, como Balaão que não viu o anjo de Deus e passa, e se não o tivesse visto, o anjo o teria matado. Estes serafins que aparecem aqui, fazendo isto, santificando a Deus, são descritos em Apocalipse não como em Isaías, que cada um tinha um rosto diferente; aqui eram quatro, embora não diz quantos; em Isaías diz: serafins; mas em Apocalipse sim diz que eram quatro; já vimos os diferentes rostos que tinham.

OS QUERUBINS

Agora vamos descer do nível do seráfico, ao nível querúbico, a nível dos querubins; isso se pode entender melhor em Ezequiel 1 e em Ezequiel 10. Então vamos ao Ezequiel 1 e depois a Ezequiel 10.

Em Ezequiel 1, diz: “1 Aconteceu no ano trinta, no quarto mês, aos cinco dias do mês, que estando eu em meio dos cativos junto ao rio Quebar, os céus se abriram e tive visões de Deus”. Aqui Ezequiel fala em primeira pessoa; logo o editor, possivelmente Esdras, para explicar fala da cronologia, porque o ano 30 era em relação à cronologia de Nabucodonosor; em troca, o interpolador e editor, que é Esdras, diz: “2 No quinto dia do referido mês, no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim, (já não disse qual, porque já o havia dito que era o quarto) 3 veio expressamente a palavra do SENHOR a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do SENHOR”. Logo volta outra vez Ezequiel em primeira pessoa; houve um parêntese explicativo do editor para colocar a cronologia no tempo do Judá e não no tempo Caldeu ou Babilônico: “4 E olhei, (volta Ezequiel falando em primeira pessoa) e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte, e uma grande nuvem, com fogo a revolver-se, e resplendor ao redor dela, e no meio disto, uma coisa como metal brilhante, que saía do meio do fogo, (aproximava-se a glória de Deus para julgar) 5 e em meio dela (daquela nuvem resplandecente) a figura de quatro seres viventes”. Aqui também lhes chama “seres viventes”; mas pela descrição se vão dar conta de que são seres viventes querubins e não seres viventes serafins, que há diferentes. “E esta era sua aparência: havia neles semelhança de homem”. O porte digamos de seu corpo, era como de homem, mas tinham outras coisas já diferentes. “6 Cada um tinha quatro caras e quatro asas”. Os serafins não; os serafins cada um louvava a Deus por um ângulo e juntos glorificavam a Deus por sua santidade e por sua glória na terra; mas os querubins, que são os que levam a Deus, como se Deus transladasse seu trono e o colocasse sobre os querubins, um trono de safira, e se move a distintos lugares, levado voando como relâmpago por cima dos querubins. Vocês vêem aqui aos querubins que cada um aparece sintetizando a visão de Deus que tinham os serafins. Os serafins: um tinha rosto de leão, outro rosto de bezerro, outro rosto de homem e outro de águia voando; em troca os querubins cada um tinha quatro caras, porque eles estão vendo Deus desde seu ângulo, mas agora Deus vai ser levado para trabalhar em distintas partes da terra, expressar Sua glória; então cada um deles leva consigo tudo o que confessaram os serafins, cada querubim tem as quatro caras, e isto é muito importante.

OS QUATRO MOVIMENTOS DOS QUERUBINS

Às vezes, o Senhor se move para a direita; como vamos ler aqui como se moviam esses querubins, digamos, à cara de leão, do rei, da palavra profética; às vezes é na direção do bezerro, na direção do sacrifício, da humilhação; às vezes é na direção do homem; às vezes é na direção da águia; isto é muito importante conhecer porque cada um destes rostos representa um aspecto do Senhor, e os querubins às vezes se movem na direção do homem, às vezes na direção da águia, às vezes na direção do bezerro, às vezes na direção do leão. Deste modo em nossa vida o Senhor também se move em diferentes maneiras; às vezes o Senhor nos leva a nos humilhar como animal de sacrifício, como o bezerro; às vezes temos que contar e julgar, pôr os pingos nos "is", como o leão; às vezes oramos, profetizamos e estamos nas alturas como a águia, e às vezes temos que pôr os pés sobre a terra nos assuntos do homem e pôr em ordem nossa missão na terra, de assenhorear, a administração, ciência e até política; tudo isso está com os pés na terra, mas do ponto de vista de Deus; às vezes vamos para um extremo, mas os querubins estão nos extremos para evitar que vamos aos extremos, e por isso têm quatro caras mostrando os aspectos diferentes do Senhor; quer dizer, mostrando o equilíbrio, mostrando o complemento das coisas; é necessário ver essas quatro caras em um mesmo ser. Nós às vezes temos a tendência, se formos místicos, a subir ao trapézio e nos passamos dando voltas no trapézio e nos esquecemos das responsabilidades terrestres; então temos que descer do trapézio e fazer nossos negócios, nossas coisas, comprar o mercado, prover para a família, etc. Pôr os pés na terra. Às vezes, é momento de proclamar, como o leão; às vezes é momento do martírio, do trabalho duro, do sacrifício, como o bezerro. Se vocês forem ver, quando descreve aqui os querubins Ezequiel, para um lado está o leão e ao outro lado está o bezerro; para um lado está o homem e ao outro lado está a águia, mostrando o equilíbrio; porque nós os seres humanos nos desequilibramos; mas os querubins têm o trabalho de nos manter no ponto médio, no ponto do equilíbrio, no ponto da síntese, no ponto do complemento; um querubim em um extremo, como na arca; outro querubim em outro extremo; mas o Senhor falava sob as asas dos querubins no propiciatório, no meio, e esse equilíbrio da vida espiritual está representado aqui nestes querubins, que são seres espirituais que ministran o espiritual a nós. A espiritualidade tem quatro caras, não uma só cara; então necessitamos o equilíbrio e o complemento dos distintos aspectos.

Voltemos para o Ezequiel para ir vendo essas descrições dos querubins. “6 Cada um tinha quatro caras e quatro asas”. Os serafins tinham seis asas, os querubins do tabernáculo tinham duas asas e um rosto; ou seja que há querubins diferentes: querubins de quatro caras e quatro asas e querubins de duas asas e um rosto como o representaram na arca. “7 As suas pernas eram direitas, a planta de cujos pés era como a de um bezerro; (trabalho) e luzia como o brilho de bronze polido. 8 Debaixo das asas tinham mãos de homem, aos quatro lados; assim todos os quatro tinham rostos e asas. 9 Estas se uniam uma à outra; não se viravam quando iam; cada qual andava para a sua frente”. Por quê? Porque como tinha cara para a frente, então não tinha que dar a volta, mas sim simplesmente quando vai para a direita, ou para a esquerda, não se tem que voltar porque tem sua correspondente cara para esse lado; por isso é que alguns vêem que os discos voadores fazem uns giros tão estranhos, que não têm que dar a volta, sempre estão de frente. Isso disse, não para dizer que estes eram discos voadores. “10 A forma de seus rostos era como o de homem, (a primeira que menciona para a frente; aqui fala da direita, da esquerda, de frente e detrás, embora tudo sempre é para a frente) e cara de leão ao lado direito dos quatro, e cara de boi à esquerda nos quatro; deste modo havia nos quatro cara de águia”. Vemos que são diferentes aos serafins de Apocalipse e do Isaías. “11 Assim eram os seus rostos. Suas asas se abriam em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas cobriam o corpo deles".
Diferente aos serafins; os serafins cobriam seus rostos, seus pés e com dois voavam; em troca estes cobrem seus corpos com dois e voam com dois. Não cobriam seus rostos porque olhavam a diante; em troca os serafins o cobriam porque olhavam a Deus.

“12 Cada qual andava para a sua frente; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando iam”. Sempre foram de frente, mas para fazer tarefas diferentes; às vezes era na direção do bezerro, às vezes na da águia, às vezes na do homem, às vezes na do leão. Quem dirigia? Não eles mesmos. O Espírito lhes dirigia. “13 O aspecto dos seres viventes era como carvão em brasa, à semelhança de tochas; o fogo corria resplendente por entre os seres, e dele saíam relâmpagos. 14 os seres viventes ziguezagueavam à semelhança de relâmpagos. 15 Vi os seres viventes; e eis que havia uma roda na terra, ao lado de cada um deles”. É uma ao lado de cada ser vivente; aqui estão os seres viventes com os quatro rostos, sempre de frente; olham para dentro, de frente, para fora de frente, para a esquerda, para a direita de frente; em cima vai descrever o trono de safira e o Filho do Homem acima, a glória de Deus como o Filho do Homem acima, e logo umas rodas dentro da outra; cada um tinha uma roda, e essas rodas estavam uma dentro da outra, e sempre, para qualquer lado, foram e se moviam; uns aros tremendos.

MOVER-SE NO ESPÍRITO

“16 O aspecto das rodas e a sua estrutura eram brilhantes como o berilo. (Berilo é como dizer: pedra de ouro) E as quatro tinham uma mesma semelhança; sua aparência e sua obra eram como roda em meio de roda. 17 Andando elas, podiam ir a quatro direções; e não se viravam quando iam. 18 As suas cambotas eram altas, e metiam medo; e, nas quatro rodas, as mesmas eram cheias de olhos ao redor”. Também as rodas viam, sabiam para onde iam. “19 Andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; elevando-se eles, também elas se elevavam.”

Digamos que o que na arca eram aquelas barras para levá-la, aqui está representado em todo este assunto. “20 Para onde o espírito queria ir, iam, pois o espírito os impelia; e as rodas se elevavam juntamente com eles, porque nelas havia o espírito dos seres viventes”. Que interessante! Vocês viram expressões, por exemplo em Efésios, onde diz: o espírito de sua mente; sabemos que a mente é uma esfera exterior, verdade? E o Espírito é o Lugar Santíssimo; a mente é na alma, no Lugar Santo; mas o que diz Coríntios? Orarei com o espírito, orarei também com o entendimento; cantarei com o espírito e cantarei com o entendimento; ou seja, que o de Deus vai do interior para o exterior; o Espírito se comunica para a alma, da alma ao corpo, do corpo ao ambiente; e aqui vemos também que os seres viventes eram dirigidos pelo espírito, mas o espírito deles estava também nas rodas; ou seja, que eles representam e se movem e fazem que as coisas sucedam no ambiente, segundo Deus, de dentro para fora; então por isso diz: “o espírito dos seres viventes estava nas rodas. 21 Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas, e, elevando-se eles da terra, elevavam-se também as rodas juntamente com eles; porque o espírito dos seres viventes estava nas rodas”. O que quer dizer isto? Se estivermos fazendo a obra do Senhor, a pessoa que não está no mesmo espírito, não vai para o mesmo lado; se a pessoa não estiver no mesmo espírito, toma outra direção, faz outra coisa; mas aí diz por que as rodas se levantavam quando os seres se levantavam e por que paravam quando eles paravam; a razão é porque o espírito dos seres viventes estava nas rodas e assim todo mover de Deus; somente assim se transmite em espírito, e se as pessoas estão no mesmo espírito, pode se avançar, mas se não houver esse fluir do Espírito, então se para e as pessoas agarram para outro lado; muito interessante. “22 Sobre a cabeça dos seres viventes havia algo semelhante ao firmamento, como cristal brilhante que metia medo, estendido por sobre a sua cabeça. “23 Por debaixo do firmamento, estavam estendidas as suas asas, a de um em direção à de outro; cada um tinha outras duas asas com que cobria o corpo de um e de outro lado. 24 Andando eles, ouvi o tatalar das suas asas, como o rugido de muitas águas, como a voz do Onipotente; ouvi o estrondo tumultuoso, como o tropel de um exército. Parando eles, abaixavam as asas. 25 Veio uma voz de cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça. Parando eles, abaixavam as asas”.

Quando eles estavam obedecendo, não se ouvia a voz, estavam obedecendo; tão logo eles paravam para esperar a direção de Deus se ouvia a voz; às vezes terá que andar e às vezes terá que parar.

Parar para esperar a direção. “25 Veio uma voz de cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça. Parando eles, abaixavam as asas. 26Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; (já no Apocalipse não nos descreveu do que era o trono; aqui nos descreve, que é de safira) sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem”. Esta é a imagem do Deus invisível, que é o Filho de Deus. “27 Vi-a como metal brilhante, como fogo ao redor dela, desde os seus lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. 28 Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva (ali está o arco íris ao redor do trono) que está nas nuvens o dia que chove, assim era o resplendor em redor. (Aí está o arco íris ao redor do trono) Esta era a aparência da glória do SENHOR; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava”.

REFLEXO DO CELESTIAL NO NATURAL

E começam a falar de coisas da terra; do julgamento das nações, dos movimentos que acontecem nas nações; todo o céu está trabalhando na terra. Depois, todos estes capítulos nos falam do que falaram; e chegamos ao capítulo 10: “1 Olhei, e eis que, no firmamento que estava por cima da cabeça dos querubins, apareceu sobre eles uma como pedra de safira semelhando a forma de um trono”. O descreve de novo. “2 E falou o varão vestido daquele linho do capítulo 9, onde Deus tinha mandado os verdugos da cidade; Deus vai julgar a cidade, e diz assim: Vê, você (as pessoas que se doem das abominações que se fazem na cidade, as pessoas que choram, que intercedem, que não estão de acordo com a miséria que está acontecendo, vá e marque-os, e marcou uns poucos; e outros vão detrás dele e destruam a todos os que não têm esse sinal de Deus). antes de vir o julgamento sobre a cidade, sobre a nação, Deus veio reconhecendo aos que não estão de acordo com o status quo da terra, com a maldade, com a destruição, mas sim estão Por Deus; aqueles que se doem do que está passando, aqueles que lamentam, que choram, que intercedem; esses recebem de parte de Deus um sinal para não ser destruídos; mas depois de que é o tempo de reconhecer aos intercessores, aos que não participam da abominação da terra, então vêm os verdugos detrás; assim lhes chama: os verdugos da cidade. pode-se ver em Ezequiel 9:1: “1 Chegai-vos, vós executores da cidade, cada um com a sua arma destruidora na mão”. Agora, essas questões espirituais se manifestaram no que? na destruição de Jerusalém, na invasão de Nabucodonosor e os babilônios ao Israel e a Jerusalém, pois as coisas celestiais se refletem no natural. O que está passando na Colômbia? Há movimentos nos lugares celestiais que se refletem nos lugares naturais; por isso, oxalá sejamos dos que intercedem, dos que choram, dos que não estão de acordo, dos que gemem para que sejamos dos assinalados Por Deus e não dos destruídos. Estamos nesse tempo agora.

Voltando para Ezequiel 10:2, esse era o varão vestido de linho a que se referia, que assinalava aos intercessores: “E falou ao homem vestido de linho, dizendo: Vai por entre as rodas, até debaixo dos querubins, e enche as mãos de brasas acesas dentre os querubins, e espalha-as sobre a cidade. Ele entrou à minha vista”. Este ser espiritual tirou dessas brasas acesos e os espalhou sobre a cidade, e o que significou isso? O julgamento da cidade. “3 E os querubins estavam à mão direita da casa quando este varão entrou; e a nuvem enchia o átrio de dentro.

4 Então, se levantou a glória do SENHOR de sobre o querubim, indo para a entrada da casa; a casa encheu-se da nuvem, e o átrio, da resplandecência da glória do SENHOR. 5O tatalar das asas dos querubins se ouviu até ao átrio exterior, como a voz do Deus Todo-Poderoso, quando fala. 6 Tendo o SENHOR dado ordem ao homem vestido de linho, dizendo: Toma fogo dentre as rodas, dentre os querubins, ele entrou e se pôs junto às rodas. 7 Então, estendeu um querubim a mão de entre os querubins para o fogo que estava entre os querubins, (assim como tinha feito o serafim para purificar ao Isaías, agora o querubim faz o mesmo, mas para aplicar julgamento porque os querubins são guardiães que fazem respeitar a glória e santidade de Deus) tomou dele e o pôs nas mãos do homem que estava vestido de linho, o qual o tomou e saiu. 8 Tinham os querubins uma semelhança de mão de homem debaixo das suas asas. 9 Olhei, e eis quatro rodas junto aos querubins, uma roda junto a cada querubim; o aspecto das rodas era brilhante como pedra de berilo. 10 Quanto ao seu aspecto, tinham as quatro a mesma aparência; eram como se estivesse uma roda dentro da outra. 11 Andando elas, podiam ir em quatro direções e não se viravam quando iam; para onde ia a primeira, seguiam as outras e não se viravam quando iam 12 Todo o corpo dos querubins, (já, falando deles ) suas costas, as mãos, as asas e também as rodas que os quatro tinham estavam cheias de olhos ao redor.

13 Quanto às rodas, foram elas chamadas girantes, ouvindo-o eu 14 Cada um dos seres viventes tinha quatro rostos: o rosto do primeiro era rosto de querubim; (aqui quero chamar a atenção sobre algo e por isso trouxe aqui uns livros) o do segundo, rosto de homem, o do terceiro, rosto de leão, e o do quarto, rosto de águia”. Notem que quando o descreveu ao princípio no capítulo 1, disse: cara de homem, cara de leão, cara de bezerro ou de boi e cara de águia. Agora diz: cara de querubim, de homem, de leão e de águia; ou seja que a cara de querubim era de bezerro, era de boi.

O CASO DE SATANÁS

Vemos que em Ezequiel 28 Satanás era um querubim; e olhem o que diz Deus aqui no versículo 14 a Satanás: “14 Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. 16 Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. 17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem. 18 Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu, e te reduzi a cinzas sobre a terra, aos olhos de todos os que te contemplam. 19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; vens a ser objeto de espanto e jamais subsistirás”.

Deixará de ser o que era, não que seja aniquilado; deixará de ser querubim santo e passará a ser Satanás. Ele era um querubim, e o curioso é que o rosto de querubim específico era rosto de bezerro, e vocês vêem que quando os satanistas adoram a Satanás põem uma estrela de cinco pontas com duas pontas para acima e dentro colocam um bezerro. Aqui tenho justamente um livro, escrito pelo William Schnoebelen que foi um satanista e um maçom de alto grau que o Senhor o salvou, saiu daí e escreveu estes dois livros: A maçonaria, além da luz, e Lúcifer destronado; neste Lúcifer destronado, ele conta sua própria iniciação quando foi levado em corpo astral a Saturno e se encontrou com este querubim com quatro rostos girando; ele mesmo em sua iniciação o conta; e neste outro livro, aqui na parte visível, ou seja, a parte material, a parte natural, o mundo visível, o mundo natural, político, etc. está representado pelo esquadro e o compasso da maçonaria; esta G do grande oriente, mas lá ao fundo na parte espiritual, o que está detrás disto, vocês vêem ali, uma estrela de cinco pontas com um bezerro adiante. É somente curioso que o rosto de Satanás é como um bezerro, sendo que rosto de querubim é de bezerro, comparando Ezequiel 1 e Ezequiel 10. Ezequiel 10: “15 Os querubins se elevaram. São estes os mesmos seres viventes que vi junto ao rio Quebar. 16 Andando os querubins, andavam as rodas juntamente com eles; e, levantando os querubins as suas asas, para se elevarem de sobre a terra, as rodas não se separavam deles. 17 Parando eles, paravam elas; e, elevando-se eles, elevavam-se elas, porque o espírito dos seres viventes estava nelas. 18 Então, saiu a glória do SENHOR da entrada da casa e parou sobre os querubins. 19 Os querubins levantaram as suas asas e se elevaram da terra à minha vista, quando saíram acompanhados pelas rodas; pararam à entrada da porta oriental da Casa do SENHOR, e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles. 20 São estes os seres viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e fiquei sabendo que eram querubins. 21 Cada um tinha quatro rostos e quatro asas e a semelhança de mãos de homem debaixo das asas. 22 A aparência dos seus rostos era como a dos rostos que eu vira junto ao rio Quebar; tinham o mesmo aspecto, eram os mesmos seres. Cada qual andava para a sua frente”. Por isso vemos que o rosto de querubim é rosto de bezerro. O capítulo 11 se titula: “Repreensão dos príncipes malvados”. Aí é quando o Espírito levanta o Ezequiel, e lhe mostra o que havia, e lhe explica porquê o Senhor abandonou sua casa; pelas abominações que se fazem nela.

Vemos, pois, a estes seres viventes aparecendo primeiro como guardiães da árvore da vida no Éden; logo nos extremos do propiciatório, e logo aparecem aqui com o Davi para mostrar a intervenção e julgamento de Deus para exaltar a seus servos e a seu Messias; porque isso é figura; e vemos aqui a intervenção de Deus em julgamento. Os querubins fazem respeitar a glória e a santidade de Deus.

Em Apocalipse 4:9: “9 Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, 10 os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: 11 Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”. Aqui vemos Deus sendo adorado pela criação.
Termino com algo importante. Diz: “ E por sua vontade existem e foram criadas”. Terá que entender um assunto: o panteísmo, que diz que o tudo é Deus, que confunde o tudo com Deus, falando somente da imanência divina nas coisas, como se a soma das coisas fosse Deus, eles dizem que como Deus conhecia todas as coisas, no conhecimento de Deus as coisas existiam; mas aqui a palavra de Deus nos diz que não é pelo conhecimento de Deus das coisas, que as coisas existem, mas sim pela vontade. Para que uma coisa tenha existência real e eficaz, tem que a vontade de Deus fazê-la passar de Seu pensamento à existência. É necessário entender a transcendência de Deus. Deus é transcendente; quer dizer que Deus é antes da criação, superior à criação e ulterior à criação. Dele são todas as coisas, por Ele e para Ele; mas a soma de todas as coisas não é Deus, é a criação, embora Deus esteja imanente em todas as coisas, as coisas não são Deus, as coisas não são pensamentos somente de Deus, a não ser criaturas que existem da vontade de Deus pela Palavra. Que Deus conheça as coisas não quer dizer que elas existam; só quando do pensamento de Deus, pelo querer de Deus, pela Palavra de Deus, passam de um nada à existência. Deus é transcendente e imanente, não só imanente. Deus não é as coisas. O panteísmo é um ateísmo disfarçado que aplica a palavra Deus às coisas, mas as coisas não são Deus, são obra de Deus; mas justamente o imanentismo é como dizer a primeira etapa para o satanismo; porque Satanás declara Deus à criatura, e a tudo o que existe o declara divino, e ele se declara divino dessa maneira. O imanentismo na filosofia começou a ser forte com o Baruch de Espinosa e outros filósofos que são ateus disfarçados; falam de Deus, usam o nome de Deus, mas não o aplicam ao Deus real transcendente e distinto, anterior, posterior e superior à criação, mas aplicam essa palavra ao todo das coisas criadas. Eles falam da eternidade da matéria, de uma substância; isso é panteísmo, que é ateísmo disfarçado. Deus é anterior à criação, posterior a ela, Deus a sustenta, sustenta-a; sim, Deus é imanente às coisas, mas as coisas não são Deus. Somos nele, mas não somos Ele; as coisas só existem criadas como criaturas pela vontade de Deus, pela palavra de Deus passando as de um nada ao ser, a um ser contingente que depende do Ser Necessário e Eterno de Deus transcendente. Amém. Vamos então a parar aqui.

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