segunda-feira, 19 de outubro de 2009

31. A Descida de Cristo ao Hades e ao Tártaro


Aproximação ao Apocalipse (31)

A DESCIDA DE CRISTO AO HADES E AO TÁRTARO




“E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Hades o estava seguindo”. Apocalipse 6:8.

ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

Vamos continuar estudando a palavra do Senhor nesta noite. Estamos seguindo a série do livro do Apocalipse e chegamos ao quarto selo onde vimos aquele cavaleiro pálido cujo nome era “Morte” e que o Hades lhe seguia. Consideramos já o relativo ao cavaleiro “morte” e aqueles instrumentos com os quais mata, e logo nos detivemos na frase “e o Hades lhe seguia”, e estivemos fazendo um seguimento de todos os versículos da Bíblia, da Gênese até o Apocalipse, onde a palavra Seol e Hades, que é a mesma coisa, uma em hebraico e outra em grego, aparecia na Escritura; mas embora que lemos todos os versículos que falam do Seol ou Hades, entretanto, precisamos considerar outras coisinhas mais para que não fique incompleta a visão sobre o Hades que é o Seol também.

Vimos que antes da vinda do Senhor Jesus Cristo, a Bíblia nos revela certas coisas sobre o Hades, debaixo da terra; mas também o Senhor Jesus desceu ao Hades, e há outros versículos que nos dizem o que fez o Senhor em sua descida ao mundo inferior. Necessitamos também ter presente esses versos porque temos que ver o que aconteceu no Hades a partir da descida do Senhor; entretanto, temos que reconhecer que neste assunto da descida do Senhor ao Hades há na história do cristianismo várias escolas; de minha parte eu não quero ser dogmático porque a gente sempre pode se equivocar; não somos os únicos que temos o Espírito Santo, nem somos os únicos nem os primeiros em ler a Bíblia; portanto, não devemos ser tão dogmáticos; devemos respeitar as outras escolas, as levar em conta, e cada um claro, definir-se, se pode definir-se ainda, por aquela escola que lhe pareça mais próxima.

Agostinho de Hipona. Em relação à descida do Senhor ao Hades, temos a escola católico-romana, temos a escola ortodoxa oriental, temos a escola luterana, temos a escola dos reformadores radicais, temos a escola calvinista reformada, temos a escola arminiana e temos a escola dos chamados estudantes da Bíblia que seguem sendo os chamados testemunhas de Jeová e os adventistas; então há várias escolas. Eu queria falar sobre isso com vocês pelo menos resumidamente; dar-lhes uns pequenos dados e umas pequenas diferenças que há entre essas escolas; e logicamente que à luz da Palavra tenho que tomar uma decisão que não a tiro de maneira dogmática, a não ser sempre aberta ao conselho do resto do corpo de Cristo. Dentro da escola católica permaneceu durante 1000 anos o pensamento de Agostinho de Hipona; Agostinho de Hipona foi um grande líder do século IV, do norte da África, pelo que hoje é Argélia, e ele escreveu sobre muitos temas, foi muito valorizado o que ele ensinou porque realmente foi um irmão muito sério e que abrangeu muitos assuntos; portanto, embora outros também falaram e escreveram, o que ele escreveu teve como maior peso; isso não quer dizer que seja infalível; há coisas nas quais, apesar de respeitá-lo muito, não concordamos com ele; podemos ter um ponto de vista diferente; de todos os modos o Espírito Santo foi ensinando à Igreja e foi esclarecendo coisas com o tempo, embora a Escritura seja sempre a mesma; entretanto, o entendimento dela foi sendo mais iluminado pelo Espírito Santo; mas foram necessários os primeiros passos, inclusive as primeiras especulações, as primeiras questões, para que as coisas se estivessem esclarecendo. Agostinho escreveu uma obra que é considerada na literatura universal como uma obra mestra se chama “A Cidade de Deus”, onde ele trata destes assuntos, principalmente nessa obra. Ele escreveu muitíssimas obras, mas nesta obra que consta de 22 livros, 22 cilindros, no livro 21 ele se ocupa do assunto do inferno; inclusive estivemos lendo com alguns irmãos ontem algumas passagens dessa obra onde o irmão quase chega à conclusão do ínterim que há entre a vinda do Senhor e logo o reino, digamos, não confundindo o que é o céu com o Milênio, não confundindo o que é o inferno; mas as coisas não ficaram claras. Ele disse: é possível que os que dizem isto, é possível que essa seja a verdade, dizia ele; de todas maneiras nos damos conta de que para essa época as coisas não estavam esclarecidas. Agostinho era muito sincero; quando ele tinha uma coisa na qual não tinha clareza, ele mandava consultar a outros irmãos anciões, especialmente a Jerônimo; ia e consultava ao Jerônimo pra ver o que dizia Jerônimo, porque ele não entendia e ele simplesmente dizia que não entendia; explicava as coisas e deixava sem entender, especialmente quanto à formação da alma; isso foi algo que ele deixou inconcluso; consultou ao Jerônimo; Jerônimo tampouco concluiu; assim é que a Igreja segue com perguntas.

Gregório Magno. Depois Gregório Magno se apoiou nos ensinos de Agostinho e deu um passo mais adiante nestes assuntos e ele foi um dos que virtualmente sistematizou a doutrina do purgatório, apoiado em algumas coisas que disse Agostinho; depois Gregório Magno lhe acrescentou outras coisas; parece que ele teve como uma espécie de visões; então a esse período intermediário de castigo dispensacional transitivo, ele o chamou “purgatório”, e depois surgiu o assunto das indulgências, e isso se foi por outro lado; originalmente não tinha essa conotação, mas sim com o tempo se foi desviando.

Tomás de Aquino. Depois na Idade Média veio um dos grandes escolásticos que foi Tomás de Aquino; ele em sua “Soma Teológica”, sistematizou este assunto da descida de Cristo ao inferno e virtualmente no ocidente se tratou de maneira muito à ligeira, muito corrida a confissão de que o Senhor depois de morto desceu ao Hades; essa é uma confissão que se faz muito à ligeira; os credos mais antigos uns diziam: foi sepultado; outros diziam: descendeu ao Hades; e então alguns diziam: quer dizer que foi sepultado e descendeu ao Hades é o mesmo; pois alguns pensavam que descender ao Hades era somente ser enterrado, ou ser sepultado.

No ocidente houve essa falta de clareza durante muito tempo.

João Damasceno. A igreja no oriente, os ortodoxos gregos, os ortodoxos de Síria, da Rússia, eles sim trataram um pouco mais deste assunto e eles sim falaram da descida de Cristo ao inferno; especialmente um dos líderes orientais muito famosos, João Damasceno ou João de Damasco, ele tem um livro que escreveu sobre a fé ortodoxa; ele tratou sobre a descida de Cristo ao inferno; de maneira que no oriente se falava mais da descida de Cristo ao inferno que no ocidente.

Martinho Lutero. Inclusive, quando chegou a época da reforma, Lutero, se a gente tomar todos os versículos que diz ele sobre o tema em seus distintos escritos, parece que é ambíguo no que fala; às vezes toma como em um sentido alegórico; às vezes toma como em um sentido literal; de maneira que doutrinariamente não se pode saber de Lutero o que queria dizer, se era literal ou era alegórico; de todas maneiras, depois de Lutero, um dos mais insignes luteranos, que foi Felipe Melâncton, ele nos “Loci comuns”, que é uma espécie de teologia sistemática da Reforma, ele sim apresentou uma visão bem clara. Eu pessoalmente me inclino mais à maneira como apresentou Melâncton sobre a descida de Cristo ao Hades; mas isso não quer dizer que todos no protestantismo tivessem esse mesmo ponto de vista.

Os reformadores radicais, contemporâneos ao Lutero, discutiram também sobre este assunto e houve várias escolas dentre os reformadores radicais; havia um chamado Gaspar Schwenfeldt; ele sustentava que Cristo tinha descido ao Hades em sua divindade, mas não em sua humanidade. Logo outros dois reformadores radicais, os dois de nome Johanes, um chamado Johanes Schlaffer e o outro Johanes Spitelmaier, estes dois reformadores radicais sustentavam que não, que Cristo tinha descido em sua humanidade e em sua humilhação; então havia entre os reformadores radicais uns que diziam que tinha descendido em sua divindade e outros em sua humanidade; Lutero e Melâncton sim diziam que em sua divindade e em sua humanidade; ou seja, em sua pessoa divino humana; uns diziam que tinha descido a ser humilhado e a sofrer a morte; ou seja que era como uma descida humilhante; outros diziam que era como uma descida de glória para tomar o poder e as chaves do inferno e da morte; ou seja, uns viam um ângulo e outros, outro; pode ser que os dois têm uma parte e que os dois aspectos têm sentido. Isso foram os reformadores radicais, contemporâneos de Lutero.

João Calvino. Depois de Lutero e os radicais veio Calvino; Calvino realmente era um grande leitor da patrística, especialmente de Agostinho, e ele manteve um ponto de vista semelhante a que era simplesmente enterrado, que a descida ao Hades era como dizer ser simplesmente sepultado; e me pus a ler os comentários do Calvino naquelas passagens, porque ele comentou de quase todos os livros da Bíblia, não de todos, mas de quase todos escreveu comentários; e me pus a ver o que comentava a respeito daquelas passagens chaves e realmente parece que ele como que dá meia volta e não dá a entender que realmente houve; como diz 1ª de Pedro, que Cristo baixou e pregou aos espíritos encarcerados e que o evangelho foi pregado aos mortos. Calvino virtualmente dá a entender que era Cristo em Noé, pregando aos homens da época; é uma interpretação um pouco estranha, não é muito exata. Penso que Melanchton tinha mais razão que Calvino nisso; Calvino foi muito seguido, e até o dia de hoje, chamada as “Igrejas reformadas”, “os presbiterianos” e os “calvinistas” das distintas denominações, sustentam o ponto de vista de Calvino; então quando você consulta as teologias sistemáticas dos reformados, como a do Charles Hodge, como a do Louis Berkhof, você te dá conta de que todos eles transmitem esse mesmo ponto de vista calvinista; ou seja que a denominação chamada “Igreja Reformada”, sustenta que a descida ao Hades foi simplesmente à sepultura, e que umas experiências de Cristo foram na cruz, não realmente no além-túmulo; pessoalmente eu não estou de acordo com o Calvino e com os reformados neste ponto; concordo mais com o Melâncton; de todas maneiras é necessário que os irmãos conheçam esses pontos, examinem-nos e logo se definam.
Miguel Servet. Contemporâneo com o João Calvino foi outro reformador radical, que foi unicista, um dos grandes unicistas ou unitários, chamado Miguel Servet, que morreu na fogueira em Genebra. Este Miguel Servet tinha outro ponto de vista; ele dizia que Cristo tinha descido ao inferno, mas dizia que na descida ao inferno, Cristo ainda não tinha vencido a Satanás, mas sim Satanás ainda do inferno tinha feito sair ao anticristo que era o Papa de Roma, e agora os cristãos tinham que morrer também com Cristo; e de fato Servet morreu de uma maneira muito valente; tinham que morrer, diz que porque recém em 1585 ia descer o arcanjo Miguel e ia definitivamente a enlaçar ao diabo; ele pôs datas e coisas estranhas; teve heresias; ele escreveu uma obra muito famosa chamada “Christianismi Restitutio”, ou seja “Restituição do Cristianismo”, onde ele sustenta conceitos contra a Trindade e algumas doutrinas erradas. Ele foi um grande homem no secular, ele foi o que descobriu a circulação do sangue nos pulmões; Miguel Servet foi um homem muito sério; esteve disposto a pôr a vida por seu pensamento; ele pensava que outros reformadores ainda lhe seguiam ao Papa em suas doutrinas; ele se foi ao outro lado; ele não teve seguidores em toda a generalidade de sua doutrina, mas no ponto de vista antitrinitário sim teve seguidores mas que não começaram com ele; começaram com o Noeto, com o Sabélio, Cleómenes, Teógono, e logo Miguel Servet e os hoje chamados unitários ou igreja pentecostal unida, os unitários, contra a Trindade; esse foi o ponto de vista de Servet; mas quanto à descida ao inferno, a diferença de Calvino, ele sim falou de uma descida de Cristo em espírito e alma ao inferno, mas que não venceu, mas sim esperava a vitória quando o arcanjo Miguel atasse a Satanás e o selasse no abismo; entretanto, a palavra do Senhor nos diz que Ele, Cristo, tem as chaves do inferno e da morte agora, só que Ele mesmo é o que deixa andar por um pouco de tempo ao inimigo já vencido; deixa-o dar voltas e o deixa nos provar; e o que vai mandar ao Miguel é Ele; mas no que pode vencer Miguel? Em apóio à vitória definitiva de Cristo; então nesse ponto não posso concordar com o Servet. Esses foram os principais pontos de vista.

Os arminianos. Depois vieram os arminianos; os arminianos foram mais parecidos com o ponto de vista de Melâncton, somente que a alguns deles, especialmente a De Wette, a ele foi um pouco a conta. Como os arminianos enfatizam muito a salvação e a salvação universal, embora não são universalistas, alguns sim, mas abrem muito a porta para a salvação de todos diferentemente dos particularistas, do calvinismo, que fala da expiação limitada, eles falam da expiação por todo mundo, então na linha arminiana disseram que não somente há oportunidade para ser salvo aqui, mas assim como Cristo pregou lá no Hades, assim também os apóstolos e os crentes têm um ministério de pregar também no Hades para que se salvem os mortos e os mortos tenham outra oportunidade; ou seja que um versículo que reconhecia que Cristo pregou aos mortos, eles dizem que assim como Ele o fez, fizeram-no também os apóstolos e o temos que fazer nós; foi um pouco a mão; já houve especulação que não o diz a Escritura.

Adventistas e Testemunhas de Jeová. Eu queria mencionar assim resumidamente estas principais escolas. A última vocês já conhecem, que é a dos estudantes da Bíblia, que na origem, no século XIX, em 1848, dali surgiram os chamados “adventistas” e as “testemunhas de Jeová”, que negam a existência do inferno e dizem que o inferno se refere somente ao sepulcro; essa é uma escola bastante comum, especialmente pelos chamados “testemunhas de Jeová” e “os adventistas”; negam a existência do inferno e dizem que é somente o sepulcro; que a pessoa morre e não fica consciente dela, mas sim simplesmente espera a ressurreição. Nós já vimos na vez passada os versículos que falam do Seol e do Hades, mas temos que ver outros versos que acabamos de mencionar; minha sugestão é: digamos o que diz a Bíblia, não digamos mais, nem digamos menos, ouçamos o que outras escolas têm que dizer, mas julguemos o dizer das escolas à luz da Palavra e cada um tome sua decisão; minha sugestão é que fiquemos com a Bíblia, embora ouçamos todos, mas fiquemos com o que pode ser comprovado com a Bíblia; o que não, deixamo-lo de lado.

A DOUTRINA BÍBLICA

Pedro é o apóstolo que diz algumas coisas que outros não dizem com tanta clareza; claro que já na vez passada, quando vimos alguns versículos do Seol, tínhamos visto as promessas que o Senhor redimiria do Seol aos redimidos. Vocês recordam que vimos esses versículos e também a promessa de que a alma de Cristo não seria deixada no Hades. Vamos então a 1 Pedro, capítulos 3 e 4, a revisar mais lentamente estes versos, os quais todas estas escolas olharam de algum jeito. 1 Pedro 3:18-20: “18 Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, (ou seja, Cristo morreu na cruz, sua carne) mas vivificado no espírito”. Esta frase é a que pôs a discutir aos teólogos das distintas escolas; por isso Schwenfeldt, dizia que “vivificado em espírito”, referia-se ao Espírito Santo e que Ele tinha descido em divindade; outros diziam, este espírito é com minúscula e se refere ao espírito humano, assim foi a humanidade a que desceu; mas realmente a pessoa do Filho de Deus, o Verbo que estava com o Pai foi o que se fez carne e o mesmo personagem divino, a segunda pessoa da Trindade, foi a que se fez também homem, assim é que Ele é homem e é Deus; Ele é Deus e é homem, ou seja, sua pessoa é a do Verbo divino que é de uma vez homem mas é primeiro Deus, Deus e homem. Por isso eu acredito que Lutero e Melâncton tinham razão ao dizer que a descida foi do Cristo divino-humano, não só uma das duas naturezas, mas também as duas; claro, como homem aparece ali em minúscula: “vivificado em espírito”; ali a palavra “vivificado” foi a que fez dizer ao Schwenfeldt que era a vida divina; mas quem foi vivificado? Cristo em espírito; agora, não é só o espírito de Cristo, mas sim sua alma, ou seja sua pessoa, desceu; por isso diz: “não deixará minha alma no Hades”; então vemos que Atos 2 com Salmos 16 falam da alma de Cristo descendo ao Hades; e também aqui Pedro fala de descer em espírito porque esse espírito é dessa pessoa, assim como o corpo é dessa pessoa. De quem é o espírito de Cristo? Da pessoa de Cristo. De quem é o corpo de Cristo? Da pessoa de Cristo; a alma de Cristo que é o eu de Cristo, é o dono de seu corpo que ficou na tumba de José de Arimatéia, e o dono de seu espírito; ou seja, ele desceu em espírito e alma; por isso aqui diz: “vivificado em espírito” foi; mas quem foi vivificado? Ele, ou seja, sua alma, sua pessoa; em sua alma, vivificado em espírito foi e por isso diz: minha alma não foi deixada no Hades.

Onde há diferença de interpretação é nos versos 19 e 20: “19 No qual (ou seja no espírito) também foi (ou seja Ele, sua pessoa, sua alma) e pregou aos espíritos encarcerados, 20 os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água”. Como lhes dizia, a escola calvinista e reformada, eles dizem que esta pregação foi a pregação do Espírito de Cristo em Noé naquela época; mas será que isso pode ser assim? Voltemos a ler; diz que Cristo morreu na carne, ou seja que foi depois de morto, não antes da encarnação, porque certamente a Bíblia diz que o Espírito de Cristo operou nos profetas; certamente que o Espírito de Cristo obrou em Noé, mas está falando aqui de que depois de que Ele morreu na carne, em espírito foi e pregou; mas como Calvino diz que Ele foi à tumba e diz que esta pregação foi do espírito de Cristo em Noé antes do dilúvio, isto não concorda neste caso. Vocês são livres de examinar isto; parece-me que pelo que diz o contexto é que depois de sua morte na cruz, Ele desceu, Ele pessoalmente, verdade? Porque diz: “foi e pregou aos espíritos encarcerados”.

A maioria das escolas dos que aceitam a descida de Cristo em espírito e alma, nem todos, mas a maioria, incluído Melâncton, pensa que estes espíritos encarcerados são os mesmos mortos de que se fala no capítulo 4; mas se lermos com cuidado nos damos conta de que dos que fala no capítulo 4, e o vamos estudar agora, são as almas dos mortos no Hades; mas estes espíritos do 3:19 não se refere aos mortos, mas sim se refere a uns determinados espíritos que pecaram antes do dilúvio; não está falando dos mortos em geral. Olhemo-lo outra vez: “os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água”; ou seja que aqui se está se referindo a uns espíritos específicos que estão nas prisões porque pecaram antes do dilúvio com um pecado específico; não está falando dos mortos em geral; aqui não está falando dos mortos, mas em troca em 1 Pedro 4:6, diz “pregou aos mortos”; o evangelho foi pregado aos mortos; aqui em 3:19 não diz que é o evangelho, nem tampouco diz que são os mortos; diz: espíritos que desobedeceram nos dias de Noé, antes do dilúvio, enquanto se preparava a arca; são uns espíritos específicos que foram encarcerados por ter pecado de uma certa maneira antes do dilúvio.

ANJOS PRISIONEIROS NO TÁRTARO

Há outras passagens da Bíblia que nos falam desses espíritos. Por exemplo, em 2 Pedro 2:4 identificamos estes espíritos: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” Esta é a única vez que aparece a palavra “tártaro”; aqui se traduziu “inferno”, como Geena se traduz inferno, às vezes Seol se traduz “inferno”, mas não, Seol e Hades é uma mesma coisa; Geena, que é o lago de fogo, é outra coisa, e tártaro é a prisão dos anjos; aqui esta tradução “inferno” não é correta; a tradução exata é “tártaro”; há uma coisa que é Hades e outra que é tártaro; até nas religiões dos gregos e a mitologia grega havia diferença entre o Hades e o tártaro; até os gregos diziam que o tártaro estava debaixo do Hades; e dividiam o Hades como uma parte negativa e uma parte positiva que chamavam os Campos Elíseos; esse era o ponto de vista da mitologia grega desde Homero e Hesíodo; eles falavam do Hades, dos Campos Elíseos, que era como um paraíso; e o Hades era o lugar dos mortos; Hades estava casado com Perséfone ou Proserpina, que é outra pronúncia, que é considerada a deusa da morte; e o Tártaro, diziam eles, estava debaixo do Hades: e Hesíodo que escreveu em sua Teogonia a origem dos “deuses”, ele fala dos titãs que ficaram detentos no tártaro; então quando Pedro usa a palavra “tártaro”, é a única vez que a usa o Novo Testamento, e não a vamos interpretar à luz dos gregos, a não ser à luz inspirada do Espírito, pelo que disse Pedro; ele diz “o tártaro” em relação com as prisões dos anjos.

Então diz em 2 Pedro 2:4: “Porque se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas sim jogando-os no tártaro os entregou às prisões de escuridão, para ser reservados ao juízo”. Vocês se estão dando conta de que aqui fala de uns anjos específicos que pecaram e que por causa desse pecado foram transladados às prisões; os anjos são espíritos. Hebreus nos diz que os anjos são espíritos; portanto, não só os mortos são espíritos; os anjos, inclusive os caídos, são espíritos e espíritos malignos, espíritos imundos, são espíritos.

TÁRTARO: PRISÃO DE ANJOS CAÍDOS

Vamos ver na epístola de Judas que também identifica estes mesmos anjos que pecaram; São Judas 6,7: “6 e a anjos, os que não guardaram o seu estado original”; ou seja que se está referindo a um acontecimento no passado quando houve uns anjos que pecaram de uma maneira específica e por causa dessa classe de pecado tiveram que ir às prisões, ou seja, ao tártaro, que é uma prisão de anjos caídos. “6 e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio...”; eles deixaram de viver em sua esfera Angélica e se introduziram em uma esfera diferente, na esfera natural dos homens, das mulheres, então eles fornicaram com mulheres antes do dilúvio; a isso é que se refere aqui quando diz: “mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas”; estas prisões não são ainda a Geena; a Geena, que é o lago de fogo, foi preparado para o diabo e seus anjos, mas isso é depois do juízo. Antes, diz que eles estão nas prisões que se chamam o Tártaro; essas prisões não são ainda o definitivo, porque diz aqui: “para o juízo do grande dia”. Vemos, pois, que o Tártaro é uma prisão transitória até que eles sejam submetidos a juízo; são espíritos perigosos; então Deus não os deixou seguir circulando, mandou-os detentos ao Tártaro; e diz por que, como; notem na palavra “como”, quer dizer, estes anjos pecaram como logo se pecou em Sodoma e Gomorra. Qual foi o pecado dos sodomitas? Foi relações sexuais contra a natureza. “7 como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, (ou seja que o pecado daqueles anjos foi pecado de fornicação contra natureza como os sodomitas) havendo-se entregado à prostituição...”; a palavra que aqui diz prostituição, não é pornéia, a não ser ekporneuo [έκπορνεύω], ou seja uma fornicação fora do contexto do mesmo sexo. Ekporneuo quer dizer fornicação contra a natureza; não só é fornicação a palavra; tem um prefixo ex; ou seja é fornicação contra natureza. “Como Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas, as quais da mesma maneira que aqueles, havendo ex-fornicado...”; ou seja que aqueles anjos fornicaram contra natureza e o mesmo fizeram os sodomitas; e inclusive os sodomitas queriam violar até a aqueles anjos que foram visitar a Ló. Recordam em Gêneses? Então diz: “havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição”.

PECARAM ANTES DO DILÚVIO

Damo-nos conta de que a Palavra, tanto em Judas como em Pedro, diz-nos que uns anjos pecaram com um tipo de fornicação contra a natureza; essa é a que encontramos em Gêneses capítulo 6; vamos ver isso onde fala da época antes do dilúvio, porque Pedro nos fala precisamente de um período específico antes do dilúvio; não é outro período; é antes do dilúvio. Naquela época, se vocês lerem a mitologia dos povos antigos, há coisas estranhas; dizem que o deus tal teve um filho com a mulher do rei tal, e essas coisas da mitologia antiga provêm, como o diz aqui Moisés, daquelas experiências de anjos que não guardaram sua própria morada nem sua dignidade, mas sim ex-fornicaram ou fornicaram contra a natureza; isso se diz aqui em Gêneses.

“1 Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas,2 vendo os filhos de Deus...”; aqui não se refere aos cristãos; estamos falando do dilúvio, estes filhos de Deus se refere aos anjos. Para ver isso, vocês podem ir ao livro do Jó; vejam comigo o livro do Jó e depois voltamos para Gêneses para que se dêem conta de que os filhos de Deus no Antigo Testamento, refere-se aos anjos. Jó 1:6:

“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”. Aqui aparece Satanás entre os filhos de Deus; não se refere a seres humanos, a não ser àqueles anjos; veio Satanás entre os filhos de Deus a apresentar-se diante de Deus, como os espíritos se apresentam. E há um diálogo entre Deus e Satanás: De onde vem? De percorrer a terra, de andar por ela.

Não viu meu servo Jó? Quais eram estes filhos de Deus? Da categoria de Satanás, porque Satanás veio entre eles; e para que vejam que estes filhos de Deus não se refere a homens, a não ser a anjos, Deus faz umas perguntas a Jó no capítulo 38 do livro de Jó, e notem, é palavra de Deus, Deus é o que fala com estas palavras, é Deus o que usa estas palavras. Jó 38:4: “4 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” Ainda quando Deus estava fundando a terra não tinha nascido nem Adão, então Deus lhe pergunta respeito de antes de ser criado o homem, ou seja, quando a terra estava sendo fundada: “4 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faça-me saber, se tiver inteligência. 5 Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? 6 Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, 7 quando (notem, está no contexto da criação) as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” Estes filhos de Deus eram os anjos que eram testemunhas da criação de Deus, a formação, a constituição e o estabelecimento da terra. Então, a palavra “filhos de Deus” no Antigo Testamento, refere-se aos anjos.

Voltando para Gêneses 6:2, diz: “2 vendo os filhos de Deus (anjos que não guardaram sua dignidade, mas sim abandonaram sua própria morada) que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram.3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos. 4 Ora, naquele tempo havia gigantes na terra”. Desses gigantes falam também as religiões antigas e as mitologias antigas, inclusive os mesmos conquistadores espanhóis; os cronistas falam aqui de notícias e alguns viram gigantes na América quando chegaram. Diz o verso 4: “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos”; como quem diz, a raça dos gigantes provém da união dos caídos, dos nefilim, que quer dizer “os caídos”, com as filhas dos homens; estes são os anjos que pecaram. O livro do Enoque dá mais detalhe a respeito disso e o livro do Enoque diz como foram encerrados nas prisões de escuridão. Quando Judas e Pedro falam, fazem-no com a linguagem do livro do Enoque; inclusive uma profecia de Enoque é citada por Judas; não é todo o livro parte do texto sagrado, embora os coptos o incluem em seu Antigo Testamento; eles dão mais detalhes do que aqui aparece resumido; claro que a doutrina não a podemos fazer apoiados no livro de Enoque, a não ser apoiados na Escritura, mas o livro de Enoque ajuda a entender a Escritura, não para lhe adicionar. Vemos que houve antes do dilúvio um fenômeno, mas segue dizendo o verso 4: “Estes (estes gigantes, filhos dos filhos de Deus e das filhas dos homens) estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade”. Esta frase de Moisés, mostra que Moisés era consciente das histórias da antigüidade, e que na antigüidade se dizia que Gilgamesh tinha nascido de um deus com uma mulher, e que por isso era um gigante e governava na cidade de Uruk, e não só Gilgamesh, mas também todas as outras mitologias antigas dos sumérios, dos acádios, dos assírios, dos caldeus, tinham estas coisas, inclusive os heveos, os gregos, a Teogonia de Hesíodo, a Ilíada, a Odisséia de Homero, falam de todas estas coisas misteriosas; por isso quando a gente lê a história antiga, a gente diz: Mas aqui fala de uma mescla da história real com mitologias, por que? Porque antes do dilúvio houve um fenômeno que foi a descida destes anjos que diz São Judas, anjos que não guardaram sua dignidade, mas sim pecaram, fornicando contra natureza, como depois fizeram igual a eles, os sodomitas, vêem? Então Pedro diz que a esses anjos, Deus não os perdoou, mas sim os guardou nas prisões de escuridão esperando o dia do grande juízo. Aí nos damos conta de que houve uns espíritos que pecaram diferente do resto da história da humanidade na época antediluviano.

CRISTO PREGOU AOS ESPÍRITOS ENCARCERADOS

Então voltemos para a primeira epístola de Pedro 3. Já tendo em conta esses detalhes, vemos que diz que Cristo “18 vivificado no espírito,
19 no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão”. Quais espíritos encarcerados? Quais? refere-se aos mortos? Não, aos mortos os chamou mortos; aqui diz quais.

Fala de uns espíritos específicos e de uma geração específica onde houve algo misterioso como o vimos em Gênese, 2 Pedro e Judas. Diz em 1 Pedro 3:19: “19... aos espíritos em prisão, 20 os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé”; ou seja que se refere a uns espíritos específicos antediluvianos que foram encarcerados por causa de um pecado específico antediluviano. Disso nos fala Gêneses 6, fala-nos 1 Pedro 3, fala-nos Judas e também o ilustra o livro do Enoque; o livro dos jubileus também o ilustra e o ilustram também vários dos documentos que foram desenterrados das cavernas de Qumram; embora não fazemos doutrinas com eles, a não ser só com a Bíblia, entretanto, essa documentação paralela da história do judaísmo, ajuda a ilustrar, a entender, não a fazer doutrina com apóio nelas, mas sim confirma o que a Bíblia diz e o ilustra.

Diz para cá que esses espíritos encarcerados, em outro tempo desobedeceram, quando uma vez esperava a paciência de Deus nos dias de Noé, enquanto se preparava o arca; ou seja, são espíritos antediluvianos, anjos que pecaram, filhos de Deus que tomaram filhas dos homens, geraram gigantes, houve um desastre e veio o dilúvio e estes espíritos, como o diz Pedro, os anjos que pecaram, referia-se a esses, foram encarcerados; porque não se refere aos outros que estão com Satanás; esses não estão ainda encarcerados; esses estão ainda incomodando; às vezes sobem, às vezes fazem dormir, às vezes produzem acidentes, às vezes produzem enfermidades; não são esses, foram aqueles antediluvianos específicos, refere-se a esses: “quando uma vez esperava a paciência de Deus nos dias do Noé, enquanto se preparava o arca”; ou seja que aqui se refere a uma descida de Cristo ao Tártaro, porque esta prisão é chamada em 2ª de Pedro, “tártaro”, e a palavra “tártaro” já existia no contexto da civilização grega, porque Pedro escreveu em grego, e os gregos diziam que o Tártaro ficava debaixo do Hades, e que lá estavam aqueles titãs, dizem os gregos; então a Bíblia nos mostra que Cristo desceu às partes mais baixas da terra, e quando diz “partes”, não fala só do Hades, mas também do “Tártaro”, que também em outras partes é chamado “abismo”, onde há uns espíritos. Por isso quando virmos uma das trombetas, vemos que se abre a chave do abismo e sai uma classe de espíritos que estão encarcerados lá e que saem para atormentar aos homens por cinco meses; isso o vamos ver um pouco mais adiante, mas nos damos conta de que há uns espíritos que não estão livres como os outros, mas sim estão encarcerados, uns até o dia do juízo, e a alguns lhes dá permissão para atormentar aos homens durante a grande tribulação. Coisa terrível! Estes do capítulo 3, inclino-me a pensar que são esses anjos que pecaram, filhos de Deus, antes do dilúvio. Calvino diz que era a gente do dilúvio, a gente dessa época; outros dizem que são os mesmos mortos do capítulo 4, mas se o analisamos bem, vocês vão ver se concordarem comigo, que realmente se refere a aqueles espíritos.

CRISTO PREGOU AOS MORTOS

Já no capítulo 4 de 1ª do Pedro, refere-se a algo que aconteceu lá. Eu não me atrevo a ir tanto como alguns arminianos, a pensar que assim como Cristo pregou, também os apóstolos pregaram e também nós pregamos; isso já me parece especulação, porque não há um texto claro que o diga; são deduções especulativas que alguns irmãos e teólogos se animam a fazer, mas até onde podemos seguir, julgue cada um. Então, para entender a que mortos se refere, para que não digam que são mortos espirituais mas que estão vivos na carne, olhem o contexto em que fala de que mortos, em 1 Pedro 4:5: “5 os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos”. Quando diz aos vivos e aos mortos, damo-nos conta de que estes mortos não são os que estão vivos, mas sim são os que já passaram pela primeira morte; e depois de dizer isso então entra no 6: “pois (e este pois está relacionando o verso 5 com o 6) para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.

Porque Deus vai julgar aos vivos e também aos mortos; por isso, porque Deus vai julgar aos mortos, Deus deu uma oportunidade àqueles mortos que estavam mortos até que desceu Cristo.

Muitos como Abraão, estavam no Hades; Sara estava no Hades, Jacó estava no Hades, José estava no Hades, Samuel estava no Hades, Saul estava no Hades; diz as Escritura claramente, e a família deles com os quais eles se reuniram estava no Hades, mas no Hades, naquela seção que se chama o seio de Abraão, que é uma seção positiva, que os gregos chamam os Campos Elíseos, mas que aqui se chama o Seio de Abraão, “pois, para este fim (porque vai haver um juízo) foi o evangelho pregado...”, e o diz no passado, por isso não me atrevo a dizer como alguns arminianos que isto o viveriam os apóstolos e inclusive nós; eu isso o deixo sem dizer, porque aqui fala no passado, aqui diz: foi, não diz é, nem será, “foi o evangelho pregado também a mortos”; ou seja que quando Cristo desceu, todos aqueles que tinham esperado ao Messias, agora souberam quem é o Messias: Jesus de Nazaré, pois, pregou o evangelho aos mortos. O que tínhamos estudado na vez passada naquelas profecias do Antigo Testamento? Que o Senhor redimiria suas almas do Seol. Não diz assim? Bom, qual momento a não ser este: a descida de Cristo às partes mais inferiores da terra; e quando chegou ao Hades sua alma não foi deixada no Hades; mas então a Palavra nos mostra que Ele foi ao Tártaro e também ao Hades. Ele tem as chaves do inferno e da morte, Ele tem a autoridade. Agora diz que Ele pregou o evangelho aos mortos; não podemos negar isso; algo aconteceu no Seol, no Hades, quando o Senhor desceu; houve uma mudança da vinda de Cristo ao Seol; por quê? Porque antes eles tinham esperado que o Messias vinha, mas não tinha vindo. Quando Cristo morreu, em espírito foi e pregou aos espíritos encarcerados, e como alma no Hades pregou o evangelho aos mortos; aqui o diz claramente.

Entre os livros apócrifos, especialmente um que se chama o evangelho de Nicodemos, que se coleciona com o ciclo de Pilatos entre os apócrifos diz, aqui não vos conto da maneira de doutrina, mas sim como simplesmente uma ilustração e não para pô-lo ao nível da Palavra; digo-o que é uma ilustração, uma notícia que ficou nos apócrifos; não a ponho ao nível da Bíblia, mas se vos conto. Diz o evangelho de Nicodemos, apócrifo, sublinho apócrifo, quer dizer, reservado, lido com cuidado, apócrifo, que não está ao nível dos canônicos, que Simeão, aquele que tinha recebido ao Senhor Jesus e que disse: Agora viram meus olhos ao rei, agora posso morrer tranqüilo, esse Simeão teve dois filhos: um se chamava Lêucio e o outro se chamava Karino; então Simeão morreu e Lêucio morreu uns pouquinho dias antes de que o Senhor Jesus morresse na cruz; então quando o Senhor Jesus morreu, vocês recordam o que diz lá no Mateus 27; leiamo-lo em Mateus 27:51, quando o Senhor Jesus morreu, entregou o espírito e diz: “51 Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas;52 abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram;53 e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, (ou seja, Ele foi o primeiro, mas depois de que ressuscitou, Santos que tinham morrido, também despertaram) entraram na cidade santa e apareceram a muitos”. Vemos que não só o Senhor apareceu, mas também os Santos que tinham morrido também apareceram; então diz a tradição que está nos apócrifos que entre esses que se levantaram estavam Simeão e os filhos do Simeão que tinham morrido um pouquinho antes. Quando houve estas coisas estranhas, disseram aos sacerdotes o que tinha acontecido e lhes disseram que Lêucio e Karino, os filhos do Simeão, estavam em uma tal cidade vivos, sendo que eles os tinham enterrado; então mandaram uma comissão para conversar com eles e que lhes perguntaram: Como é que estão aqui? O que foi o que aconteceu? Eles contam que estavam no Hades, quando de repente entrou o Senhor com uma luz luminosa, e eles começam a contar a experiência que eles tiveram no Hades quando o Senhor desceu ao Hades. Essa história está no evangelho apócrifo de Nicodemos; não sabemos se é um invento; não o posso pôr no nível canônico; ou pode ser uma tradição apoiada nestes Santos que apareceram; eles contam de Simeão e dos filhos do Simeão quando o Senhor desceu, e o terror que tinha Satanás quando o Senhor desceu. Esta anedota apócrifa, a deixo nesse nível, amém? Não digo que é canônica; do canônico digo: foi; do apócrifo digo: pôde ser, quem sabe, talvez, não sabemos.

CRISTO LEVA CATIVO O CATIVEIRO

Vamos à epístola aos Efésios onde ali também há umas palavras de Paulo que não podemos deixar de considerar com cuidado. Diz Efésios 4:8: “8 Por isso, diz: (porque Cristo deu dons aos homens; nesse contexto diz, é uma profecia) Quando ele subiu às alturas, (isso se refere à ascensão de Cristo) levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.
9 Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido às regiões inferiores da terra? ” É uma frase que não podemos evitar; algo aconteceu na ascensão de Cristo que não tem que ver só com Cristo mesmo, a não ser com os que estavam cativos, os que estavam cativos esperando; referia-se inclusive aos mortos; em Hebreus o identifica assim. Olhem o que diz Hebreus capítulo 2, uma expressão quanto à palavra cativeiro; nos diz versos 14 e 15: “14Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, (e que mais?) 15 e livrasse todos que (quer dizer, morrer e depois) pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.
16 Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão”. Claro que isso inclui os que estão vivos, mas também inclui os que estão mortos.

Por isso em Efésios 4:8 fala da ascensão: “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro”; não podemos passar por cima dessa frase; alguma mudança houve no Seol, que é o Hades, quando o Senhor desceu.

Quando o Senhor desceu nos diz a palavra claramente, que Ele pregou o evangelho aos mortos, ou seja que tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho os mortos que estavam no Seol, e aí explica Pedro e diz: para que sejam julgados em carne, segundo os homens, mas vivam em espírito, segundo Deus; ou seja, os homens dirão: este foi tal e tal coisa, quando estava na carne, sim, mas logo recebeu o evangelho e por isso em espírito vive segundo Deus. Vocês recordam essa passagem, então não o leio. Logo diz: pregou o evangelho; depois diz outra coisa mais, é inspirada, é de Deus, que quando Ele morreu, abriram-se os sepulcros e que depois da ressurreição Dele, muitos Santos que tinham morrido antes, ressuscitaram; quer dizer que suas almas retornaram a seu corpo e apareceram em uma cidade.

Isso o diz Mateus pelo Espírito Santo; ou seja, para que esses Santos pudessem ter ressuscitado quer dizer que o Senhor lhes deu a capacidade de onde estavam, ou se não, não tivesse acontecido. Pregou-se o evangelho e foi tomada cativa a cativeiro; como diz: livrará nossa alma do Seol. O Senhor o faria, está profetizado lá em Oséias; recordam? já lemos. Aqui vemos algo que se chamava o cativeiro e que foi cativo, quer dizer, o Senhor tomou; livrou-os. Levou cativo ao cativeiro. Quando? Quando subiu aos céus.

LOCALIZAÇÃO DO PARAÍSO

Nem todos os irmãos entendem estas coisas; não estamos falando de maneira dogmática, estamos tratando de ver tudo o que nos diz a Bíblia. Por exemplo, os irmãos Witness Lee e Délcio Meireles com ele, a quem eu respeito muito, eles dizem que não, que não houve essa tal ascensão dos Santos que estavam cativos; pensam que o Paraíso se refere ao Seol, ao seio de Abraão no Seol; mas há então a diferença de interpretação do texto de 2 Coríntios 12:1-4, onde se menciona em uma mesma passagem, o terceiro céu e o paraíso juntos; ali diz o apóstolo Paulo: “1 Se é necessário que me glorie, ainda que não convém, passarei às visões e revelações do Senhor.2 Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)3 e sei que o tal homem (vem falando do homem que foi arrebatado ao terceiro céu, esse foi ele, mas ele por humildade, diz: conheço tal) (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)
4 foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Paulo está contando uma experiência, mas a conta de maneira dupla; ao princípio diz que subiu ao terceiro céu, logo diz que foi arrebatado ao paraíso. Eu acredito que os arrebatamentos não são para abaixo, a não ser para acima, “foi arrebatado ao paraíso”. Os que pensam que o paraíso fica debaixo da terra, lógico que dizem que são dois: um é o terceiro céu, outro é o paraíso. Agora, eu me pergunto se Paulo queria dizer duas coisas distintas ou uma coisa com duas palavras para simbolizar uma com a outra. Eu me inclino por essa, sem ser dogmático; outros irmãos muito sérios, pensam outra; os respeito; verdade? Agora diz aqui: “foi arrebatado até o terceiro céu,e” outra vez, “foi arrebatado ao paraíso”; parecesse que interpreta paraíso por terceiro céu, terceiro céu por paraíso. Então, se o paraíso depois da ascensão de Cristo está debaixo da terra, como se usa a palavra “arrebatado” e como se usa quase como sinônimo, o terceiro céu? Quando Estevão estava sendo apedrejado, ele viu o Filho do Homem, não no paraíso debaixo da terra, a não ser à mão direita do Pai em pé, e lhe disse: Senhor Jesus, recebe meu espírito. Agora, onde estava o Senhor Jesus para receber o espírito do Estevão? Estava à destra do Pai. São Paulo em Filipenses diz que ele prefere morrer e estar com Cristo porque para ele é muito melhor; ou seja que Paulo tinha a certeza de que se ele morresse estaria com Cristo. Agora, onde está Cristo? Sentado à destra de Deus; ou seja que Paulo tinha a confiança de que ao morrer iria com Cristo. Há mais versículos onde se fala outras coisas assim; por exemplo, em Mateus.

Em Mateus capítulo 24, o Senhor está falando da segunda vinda Dele, e quando está falando da segunda vinda diz nos versos 30 e 31: “30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. 31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. De onde recolherá a seus escolhidos? De um extremo do céu até o outro.

Então 1ª aos Tessalonicenses capítulo 4:13, para relacionar com isto, diz da seguinte maneira: “13Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem”. Ou seja que os que dormiram em Cristo virão com Jesus; são escolhidos dos quatro extremos do céu, e devem ressuscitar, a tomar seus corpos para receber ao Senhor no ar; mas onde estavam eles? Estavam com o Senhor. Paulo se morria onde ia estar? Com Cristo. Estevão olhava para o céu e dizia: Senhor Jesus, recebe meu espírito; ou seja, se Cristo estava à mão direita do Pai e Estevão lhe pede que o receba, é porque Estevão esperava que seu espírito ia ser levado pelo Senhor Jesus. Por essa razão é que me inclino a pensar isto. Depois, quando virmos as almas sob o altar no próximo selo, vou dizer quais são os argumentos dos irmãos, qual é o principal versículo que eles usam, mas isso corresponde ao outro selo. Enquanto isso já estamos agora mesmo espiritualmente sentados com Cristo em lugares celestiais.

Voltamos para Efésios 4:8,9: “8 Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens.9 Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido às regiões inferiores da terra?”. Interessante que lhe chama “regiões” e não região, porque está o Seol e está o Tártaro; então Ele pregou aos espíritos encarcerados que desobedeceram nos tempos do Noé e também pregou o evangelho aos mortos esperavam o desenlace para a vinda do Messias, e logo diz que Ele foi às partes mais baixas da terra, e diz para cá: “e levou cativa ao cativeiro”; mas desde onde? daqui das partes mais baixas da terra. Certamente este verso faltava que fala da descida ao Hades. Estes versos nos enriquecem os outros versos que vimos na vez passada. Aqui não menciona a palavra “Hades”; diz: pregou aos mortos, pregou aos espíritos, desceu às regiões mais baixas da terra, e por isso não os localizamos dentro dos que falam do Seol ou Hades, mas sim terei que os ter hoje em conta para completar essa visão da vez passada e para entender que sim houve um acontecimento lá no mundo inferior quando Cristo desceu. Agora, se o paraíso ao que se refere aqui 2ª aos Coríntios capítulo 12, é o mesmo terceiro céu, certamente está no terceiro céu. Também o Senhor ao apóstolo João diz em Apocalipse: “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, o qual está no paraíso de Deus” (Ap. 2:7), verdade? Será que a árvore da vida está no Hades? Pois, é difícil, verdade? Então essa questão de se o Paraíso se transladou do seio do Abraão ao céu, só seria uma especulação. Quanto ao uso da palavra paraíso para o seio do Abraão, a Bíblia não o diz, sim a tradição judia. Quando Jesus disse ao malfeitor: Hoje estará comigo no paraíso, é porque o Senhor foi além-túmulo e certamente que esteve no paraíso, e esteve no Tártaro, e esteve no Hades. Quando Ele apareceu a Maria disse: Não me toque, porque ainda não subi a meu Pai; mas depois o tocaram; quer dizer que nesse ínterim subiu ao Pai em segredo porque depois sim se deixou tocar; ou seja que o Senhor pode mover-se em todas as dimensões porque Ele é o Senhor dos céus e da terra; tudo poder foi dado nos céus e na terra; por isso apareceu e desapareceu. Irmãos, Vamos dar graças ao Senhor; vamos parar por aqui.

Um comentário:

  1. Lendo somente a biblia, fica difícil provar que Jesus foi pegar no Hades ou tártaro , eu já tive esta crença , mas hoje lendo me parece que os mortos , dormem , não tem consciência, e somente após a ressurreição, haverá julgamento e condenação , porém cada um pode ler e julgar com base na escritura.

    ResponderExcluir